Feliz, parece... É bom se sentir querida e necessária pra algo. É bom conseguir aquilo que se imaginou a vida toda. Nem que seja o início daquilo que estava projetado...
Mas isso não faz com que eu me sinta confortável. Nem um pouco, atualmente. Pelo menos não ainda.
Muitas coisas pendentes, histórias mal resolvidas e medos para driblar. E ninguém mais do que eu, se incomoda com pendências... e com incertezas.
Por isso, muito "pé atrás", meu e dos outros. Sempre gostei de pisar no lugar certo, porque odeio tropeçar. Odeio. Então, melhor passar um tempinho sem ir em frente, só observando e esperando. Por mais que a ansiedade me consuma e eu tenha vontade lá no fundo de mostrar para que eu vim até aqui.
Porque pra casa ser boa, a construção precisa ser planejada. E planejar é comigo mesmo! Embora pouca gente entenda a minha pseudo "lerdeza" e até os meus medos iniciais. Mas essas geralmente são as que mais tropeçam e caem pelo caminho. E eu nem diria que são medos, são mais um "estudo de território", para saber como e quando agir, assim que eu precisar. Mais estratégia, do que medo.
E no meio dessa felicidade, desse desconforto, de tanta instabilidade... despedidas. Que não são novidade, mas que são dos piores martírios para mim, adoradora da rotina e da estabilidade.
Chorei. Muito. Chorei em público e chorei escondido, porque eu tenho vontade de ter as pessoas para mim. Num potinho, dentro da minha bolsa, comigo onde eu for.
E a vida real não é assim. Talvez por isso eu crie as "minhas pessoas", dentro da minha cabeça. Lá, elas tem a imagem que eu quero e estão sempre lá pra mim.
Mas existem pessoas que são do mundo, e por mais que não tenham lá muito juízo as vezes, contam com a sorte e com a competência. E acima de tudo, com a coragem. Talvez daí venha a minha grande admiração e até uma pontinha de inveja, confesso.
Dessa coragem de se desprender e arriscar. E de não ter medo do "não dar certo". E passar por cima de toda a sua zona de conforto, para achar algo mais longe. Isso tudo me desperta uma admiração absurda, especialmente quando isso tudo cresce na frente dos seus olhos. E morro de orgulho. E espero uma próxima encarnação mais "desprendida", para conseguir fazer parecido.
Mas aperta o peito. Porque o orgulho desse sucesso todo, briga com a vontade de deixar tudo como estava. Porque a gente acostuma, mesmo que não esteja junto todo dia.
Posso não ver ninguém do mesmo jeito. Mas o "não ver" em São Paulo é diferente do "não ver" em Auckland. E dói. E a lágrima cai do olho. Mas é assim, uma hora o avião decola.