Não quero ser gente grande se ser gente grande for perder a noção do que é trabalho e o que é casa. E entrar numa gigante bola de neve onde não dá tempo de ver a história passar. Não quero ser gente grande se eu precisar encontrar e perder tudo que eu me apego o tempo todo. Nem se o ditado do "tudo que é bom dura pouco" for verdade. O meu bom, parece fadado a durar somente o tempo da conquista. E se isso for regra de gente grande, eu não quero. Também não quero se for pra ter que fazer essa cara de 'tudo bem' e chorar sozinha de madrugada. Porque eu quero chorar no meio da rua, pra todo mundo ver, fazer birra e bater o pézinho de manha falando "Não queroooooooo" no meio shopping, daquele jeito que fica todo mundo olhando. Mas se gente grande não pode fazer isso, então não quero ser não. Se gente grande precisa ficar sempre nesse dilema de escolher o certo sem saber qual a diferença de certo e errado, eu não quero! Por que eu quero minha mãe e meu pai eternamente escolhendo o que é melhor pra mim, sem me preocupar se de fato é mesmo. Por que eu sei que é. Mas se gente grande precisa escolher sozinha, eu tô fora! E também eu desisto, se gente grande sempre tiver que assumir tudo assim abraçando o mundo. E também não quero se gente grande precisar parar de viver os melhores momentos para começar tudo do zero atrás de outros momentos, simplesmente porque a "fase mudou". Eu quero a minha fase o tempo todo comigo, com todas as risadas, as diversões e as lembranças. Se gente grande for essa coisa de ficar se despedindo o tempo todo do que eu não quero, eu quero me mudar pra Terra do Nunca...
27 janeiro, 2010
04 janeiro, 2010
Os Queridos
Que ser humano brilhante!
Nossa, todo mundo adora ela! Uma querida! Taí alguém uma pessoa comunicativa... fala bem, sabe argumentar, não fica tímida. Parece que faz isso há anos! E inteligente, né?! Nossa, informada, interessada, qualquer coisa que você pergunta ela sabe, e se por acaso não souber, no dia seguinte ela traz uma enciclopédia, porque sim, ela adora estudar! Pró-ativa, pau pra toda obra! Resolve problemas como ninguém, dá idéias como ninguém, executa como ninguém. Nunca vi fazer nada mal feito! Além de tudo gente boa, né?! Boazinha, simpática, mas ainda assim discreta, na dela. Que querida! E bonitinha né? Sempre arrumada, cabelo em ordem, maquiagem leve, toda 'no lugar'. Tem classe, educada, tem assunto, boa amiga, super querida. Deve ser o máximo trabalhar, jantar, conversar, comer, casar com a querida! Porque ela é o máximo... uma graça de pessoa!
A querida? Ah, ela é aquela que está sempre ali do lado de fora, pois queridos nunca entram. Os queridos não são donos, não são chefes, não são cafetões. Queridos dão as boas idéias, executam partes trabalhosas, enfeitam tudo, fazem bastante, mas nunca são os verdadeiros autores. Queridas nunca são as desejadas, muito menos as bem comidas. Não pegam os homens bonitos, legais e fiéis. Mas são as grandes conselheiras quando eles sofrem. Queridos nunca são pegadores, nem casam com mulheres fantásticas. Queridos nunca são lembrados na lista da festa ou na convocação da reunião. Mas ajudam a ligar pra convidar ou avisar quem está na pauta. Queridos são a guarnição, nunca o prato principal. Resolvem os problemas para os filhas da puta, que insistem em usar sempre a mesma estratégia. E querido, como é querido, faz tudo pra agradar as pessoas e seguir sendo querido por alguém. Os queridos no fundo são uns baita de uns carentes, que se deixam enganar pela fantasia de um dia algum filha da puta o deixar participar da reunião, entrar na festa, comer alguém, ser dono de alguma coisa. Eu queria mesmo era aprender a ser filha da puta.
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