31 agosto, 2010

Doutor, eu não me engano

Eu sempre achei meio bichisse esse negócio de psicólogo, terapia.
Análise é coisa pra gente louca ou desocupada. Coisa de gente que devia ir lavar um tanque de roupa ou encher uma laje pra ver se o tempo passa. Digamos que depois que eu virei "gente", bati asas e voei - mesmo que ainda baixinho - eu nunca mais me dei ao luxo de ser digna de um "Vai arrumar o que fazer". Coisa pra fazer não falta. Ou seja, minha cabeça jamais seria a tal da "oficina do diabo", como dizem. Eu sempre teria o que fazer, e nunca pararia pra ter crise e pensar merda. É, sim, futuro do pretérito. Condicional.
Eu tenho muito o que fazer. Eu desse muito, é tudo aquilo que eu disse que queria um dia. E mesmo assim, tenho tido muito tempo ao mesmo tempo para ter crise e pensar merda. E achar que eu conquistei "tudo" (tudo entre aspas, pois claro que não é tudo, mas é bastante coisa) que eu queria aos 20 e poucos anos e aí nada disso tinha a graça que eu esperava. Peraí, essa não é aquela crise que a gente tem aos 30 e muitos ou 40? Aquela de "consegui tudo que eu queria e agora não sei o que fazer"?! Porra, então são duas crises. A crise de ter conseguido, e a crise de ter crise por ter conseguido, assim tão antes da hora combinada!!! E a crise de nada ser como deveria, a crise da vida ser cruel e um querer sempre "comer" o outro. E dessa vez não é no sentido que eu gostaria. Isso aí de ser uma capricorniana com ascendente em cancer e ter dupla personalidade... não, isso não estava nos meus planos. Mas eu tenho tanta coisa pra fazer que também não acho certo arrumar tempo pra ter crise. Eu não esperava que o mundo fosse colorido, mas eu pretendia pelo menos saber o que fazer com ele.
Ontem, num momento insone, me passou pela cabeça fazer terapia, pela primeira vez na vida. Talvez você, humilde blog, não seja mais suficiente pros meus devaneios. Talvez eu esteja "enviadando". Ou talvez me falte um tanque de roupa pra lavar.

20 agosto, 2010

O que não é meu também me pertence!

Eu bato o olho na lista e vejo "Fulano + Namorada". E logo penso "OI?"! Namorada? Como assim namorada?
Não, não sou eu. Aliás, nunca seria. Pelo menos eu acho. Mas era isso, a gente tinha "nada" e isso sempre foi muito divertido. Já tem um tempão esse nada aí. Desde a época que eu achava que era nada mesmo, e já era alguma coisa... Enfim, puta negócio saudável, bem resolvido, sabe?! Diversãozinha bacana. E foi mesmo. Boas lembranças, tudo muito bom e bem feito. A gente nunca namoraria. Não faz parte do combinado. E nem passou pelas nossas cabeças. Cada um por si. Cuidando da sua vida. E se divertindo junto. Esse é o acordo. E tá ótimo. Mas... Namorada? Quem é essa? De onde surgiu? Quando? Por quê? E eu não sabia? Quem deixou? Pera lá!!!!!! Não é porque você não é meu que você pode ser de outra pessoa!

13 agosto, 2010

Encaipirando

Depois que você passa a trabalhar perto de casa, as chances de se tornar uma caipira de marca maior são muito, mas muuuuito grandes.
Vivo e trabalho praticamente no mesmo lugar e apesar de amar minha terra querida, cada ida pra São Paulo tem me dado mais preguiça.
Pensei que nunca fosse dizer isso, afinal eu gosto do fervo, do babado e da confusão. Nada me faz mais feliz e viva que uma voltinha ali na poluição da Paulista. De tempos em tempos eu preciso disso.
Mas descobri que estou desaprendendo a pegar trânsito. Já me diverti bem mais. Sempre usei os congestionamentos pra treinar minha habilidades artísticas cantando alto e interpretando. Daquelas performances de fazer os carros ao meu redor estranharem ou rirem.
A idade vai chegando, a gente vira workaholic, passa a ter mais pressa e menos tolerância. Juro que tentei me divertir cantar e dançar hoje, em plena Rebouças durante 1h pra andar uns 5km. Não rolou. A claustrofobia e uma certa afeição aos meus instintos mais primitivos (já dizia Roberto Jeferson) - como bater ou matar algum motorista fominha ou um motoqueiro com sua buzina e sua folga irritantes - foram tomando conta de mim. Meio síndrome do pânico express. Uma vontade de surtar, puxar o freio de mão e sair correndo pedindo por socorro.
Fiquei olhando ao redor, aquelas motos todas, a caminhãozada soltando fumaça, os engravatados nos jipões querendo passar por cima do meu humilde Palio, pensando quantas histórias estão ali, com a mesma vontade de sair correndo que eu. O quanto de coisa acontece. Flertei com um moço em um A3, ali na esquina da Pamplona (sim, nessa altura eu já havia chegado e dado mil voltas ali pela Paulista caçando um endereço), o perdi pelos semáforos e pouco depois do Masp seu A3 estava parado com dois policiais junto e o moço mexendo no carro. Quebrou? Blitz? Droga? Foi roubado? Vai ser preso? Me deu um desespero, pois eu nunca saberei. O farol abriu e eu fui, com aquelas motos e carros e pessoas e tudo. Fomos. E nunca mais voltaremos.
Voltei pra casa "correndo" (é só força de expressão, demorou horas), quando caí na Castello respirei aliviada, pensando que horror que deve ser encarar isso tudo, todo dia. E agradecendo pelo meu trabalho e quase tudo meu ficar a 5, 10 minutos de mim. Mesmo que seja "só isso" todo dia.
Eu... logo eu?! Tô encaipirando mesmo.