25 junho, 2010

Doença

Das minhas neuroses, a que mais me maltrata é essa. Minha pseudo-hipocondria misturada com meu pânico de doença.
Neurose facilmente explicada por qualquer pessoa que nem tenha diploma de psicanalista... Pai e mãe fumantes e problemáticos, aneurismas, colostomias, derrames e exames médicos fizeram parte da minha infância. Mas tudo bem, eu sobrevivi, aprendi, cresci. Meu pai morreu sabendo o que fazia e minha mãe está aqui meio firme e muito forte, porque, literalmente: Deus é Pai! E eu, cada vez que trago um cigarrinho por deslize (uma ou duas vezes por ano, se bobear) passo a semana seguinte me chicoteando de culpa.
Mas isso ficou. Um medo, um pavor de ficar doente, de estar doente, de parecer doente, de ter uma doença que demore a se manifestar, de ter um diagnóstico desconhecido, de pegar um virus, de tomar friagem no peito, de ficar de cama, de exame, de internação, de médico, de hospital, de qualquer coisa. É PÂNICO!
Aí pra mim, cada coceirinha vira uma alergia descontrolada, uma torção é quase uma fratura exposta, uma dor é sinal de infarto, qualquer íngua é uma infecção sem fim, ou quem sabe um câncer, uma manchinha já é vitiligo e um espirro é pneumonia na certa!
E o Dr. Google?! Esse especialista em generalidades é meu parceiro. Afinal quem acha que eu iria manifestar um sintoma e guardar pra mim somente? Eu rapidamente compartilho com o Dr, e já fico PhD nos sintomas, na causa e já praticamente inicio o tratamento! Ou melhor, eu já mando encomendar meu caixão e escrevo o testamento. E sofro, de medo, de pavor que o Dr Google realmente esteja certo, pois os diagnósticos dele são sempre os mais trágicos possíveis. Associado a minha paranóia?! Pronto! Eu espirrei e já já podem marcar meu velório! Cer-te-za!
Na verdade eu preciso mesmo de um tratamento. Mental.

23 junho, 2010

Edição

Parece uma novela. Não, não. Um filme. Um documentário, daqueles bem cheios de cortes e que se você perder uma piscada de olho, já perde o fio da meada. Se é que tem algum
Corta pra neurose! Pra ela pensando na moral e nos bons costumes e que é assim que a vida tem que ser. Corta pro trabalho! Corta e fica um tempão. No trabalho tem cena de tudo, de amor, de ódio, de tensão, de tristeza e arrependimento. Corta pro romance! Pro amor, pro homem da vida. Mas homem da vida é sempre cena rápida. Opa, pro trabalho de novo! Pro nervoso, seguido de alegria, seguido de raiva de novo, seguido de reconhecimento. E uma reclamação de salário. E umas dívidas. Corta pra consciência! Pro "o que eu tô fazendo?". Pro "era isso?". Corta pra recordação! Sim, era isso. Agora que ficou diferente... Corta pra diversão! Cerveja! Corta pra saudade! Corta pra modernidade! Cadê aquela neurose? Sumiu! O negócio é ser moderna! Corta pras cenas picantes! Corta pro dia seguinte! Ih, acabou o filme. É fita, rebobina!

06 junho, 2010

Tati Bernardi deve ser sincronizada com a minha rotina

Adoro Tati Bernardi (http://www.tatibernardi.com.br/), não é de hoje, são milhões de coisas que já li, são milhões de textos que eu já reproduzi aqui (com créditos, sempre!)... o que me assusta é o quanto as coisas que acontecem batem com os posts dos textos no site, mesmo que as vezes só eu veja a semelhança, rs!
Mas esse último, tem menos de 24h de "sincronia com a realidade", então me assustou mesmo...

O garoto

Você já foi ele. Eu penso. Com 22 anos e depois outras vezes também, um pouco mais velha que isso. Eu enlouquecia meu namorado, sumia, não atendia o celular, atrasava, vivia confusa se queria ele ou o ex ou o próximo. Eu gostava dele, eu queria dormir de conchinha e planejar coisinhas, mas algo me chamava pra ir conferir a noite e a tarde e a manhã e a casa dos amigos e as viagens e uma loucura. Uma vontade que, pra falar a verdade, não sinto muita falta. Porque era uma vontade meio sofrida (eu de fato sofria!). E quando ele se enchia, eu chorava: “mas eu tô sofrendo, você não vê? Eu não sei onde quero trabalhar, eu não sei onde quero morar...e a minha mãe, e o mundo e mil coisas”. E ainda colocava a culpa nele: “e eu só tô assim confusa porque você, aquele dia, lembra? Fez aquilo comigo!”. E ele, sei lá porque, acabava me deixando dormir na casa dele, e me abraçava bem forte a noite. E assim eu seguia, no fundo, sabendo o quanto eu era maquiavélica.

E agora esse garoto faz exatamente isso comigo. O que eu fazia com meus namorados quando eu tinha 22 anos. E então o quê? Não sei, não sei. Eu só queria abraçar ele bem forte a noite. E deixar ele seguir sabendo, no fundo, o quanto é maquiavélico.

Garotos bobos espertos são uma gracinha.