Das minhas neuroses, a que mais me maltrata é essa. Minha pseudo-hipocondria misturada com meu pânico de doença.
Neurose facilmente explicada por qualquer pessoa que nem tenha diploma de psicanalista... Pai e mãe fumantes e problemáticos, aneurismas, colostomias, derrames e exames médicos fizeram parte da minha infância. Mas tudo bem, eu sobrevivi, aprendi, cresci. Meu pai morreu sabendo o que fazia e minha mãe está aqui meio firme e muito forte, porque, literalmente: Deus é Pai! E eu, cada vez que trago um cigarrinho por deslize (uma ou duas vezes por ano, se bobear) passo a semana seguinte me chicoteando de culpa.
Mas isso ficou. Um medo, um pavor de ficar doente, de estar doente, de parecer doente, de ter uma doença que demore a se manifestar, de ter um diagnóstico desconhecido, de pegar um virus, de tomar friagem no peito, de ficar de cama, de exame, de internação, de médico, de hospital, de qualquer coisa. É PÂNICO!
Aí pra mim, cada coceirinha vira uma alergia descontrolada, uma torção é quase uma fratura exposta, uma dor é sinal de infarto, qualquer íngua é uma infecção sem fim, ou quem sabe um câncer, uma manchinha já é vitiligo e um espirro é pneumonia na certa!
E o Dr. Google?! Esse especialista em generalidades é meu parceiro. Afinal quem acha que eu iria manifestar um sintoma e guardar pra mim somente? Eu rapidamente compartilho com o Dr, e já fico PhD nos sintomas, na causa e já praticamente inicio o tratamento! Ou melhor, eu já mando encomendar meu caixão e escrevo o testamento. E sofro, de medo, de pavor que o Dr Google realmente esteja certo, pois os diagnósticos dele são sempre os mais trágicos possíveis. Associado a minha paranóia?! Pronto! Eu espirrei e já já podem marcar meu velório! Cer-te-za!
Na verdade eu preciso mesmo de um tratamento. Mental.