06 julho, 2011

Só para registrar.

Reli agora um texto, do aniversário de 5 anos de morte do meu pai, onde eu recapitulei, todos os momentos que eu lembrava do pré e pós morte dele. Detalhe por detalhe.

E que bom que eu gosto de escrever. Registrar é importante. Hoje fazem nove. E ler é bom pra relembrar, porque esse tipo de experiência não deve ser apagada, por mais dolorida que seja. É bom para relembrar que, por exemplo, eu continuo com a mesma sensação de não saber ao certo se parece que foi ontem, ou se parece que tem muitos e muitos anos. E com o passar do tempo a memória falha, os detalhes se perdem.

É aquele tipo de coisa que dói mas é bom, se é que você me entende. Porque eu li o texto novamente hoje e fiquei feliz. Muito feliz mesmo. Feliz de ler que quem estava lá me apoiando ainda está na minha vida. Feliz de ter sido firme o bastante na época. Feliz porque eu sempre achei meu pai tão, mas tão foda, que eu acho que até a morte foi feita de uma maneira inteligente e pensando sempre em nós, antes dele mesmo (é uma longa teoria, mas que faz sentido). Como sempre foi. Feliz porque se não fosse isso, exatamente naquele momento, o "susto" nunca viria, e eu não teria crescido tão forte. Eu não seria um terço do que eu sou hoje. É meio engraçado alguém ficar feliz em um aniversário de morte.
Mas foi isso que eu fiquei, feliz porque eu tive um pai incrível, que mesmo indo embora logo me fez ser uma pessoa muito melhor.

E é por isso que é importante registrar. Pra não perder. Para saber de onde vem as coisas. E que eu guarde esse texto dos nove anos de morte, para daqui sei lá quantos, eu relembrar que qualquer coisa que eu seja, aconteceu por causa dele.

05 julho, 2011

O melhor dos dois mundos

Terra do Nunca é aquela ilha da história do Peter Pan, um lugar fictício onde as pessoas não envelhecem. Um universo a parte, uma fuga da realidade. Eu costumo acreditar que na nossa vida vira e mexe aparecem umas Terras do Nunca no caminho para nos “enganar”. Seja lá que grupo for, é aquela coisa toda que parece encantadora a ponto de ser muito melhor que o restante todo.
Na Terra do Nunca as coisas são legais e fazem muito bem pro ego, na Terra do Nunca todo mundo é bonito e simpático. E se ama. E fala a verdade. E quer seu bem. A Terra do Nunca sempre é um lugar muito tentador. E emocionante. Afinal, lá você será sempre jovem! Não poderia ter coisa melhor. E de fato é verdade, a Terra do Nunca é sempre um puta lugar legal. Eu já estive por lá, e frequentemente eu volto.
Acontece que o triste é que as vezes as pessoas caem lá e perdem completamente a identidade. Se tornam meros “Nunquistas”, que só falam assuntos nunquistas e tem preocupações nunquistas, como qual a maneira de conquistar mais “barras de ego” (um dos primeiros posts desse blog foi sobre isso, lembram?) ou coisas assim. Aí você se torna um Nunquista legítimo e abandona toda sua “realidade” em prol de não crescer nunca.

Sabe o que acontece? Um dia o Peter Pan enjoa de você e te bota pra fora da Terra. E aí? Aí você perdeu a identidade, a ocupação, todos os amigos, a família, não tem mais assunto pra conversar e descobre que precisa envelhecer, mas ficou tão por fora de tudo isso o tempo todo, que não sabe como. Eis o castigo, ficar no “limbo” do Nunca!
Por isso, é preciso muito controle e sabedoria. É preciso saber transitar nos dois mundos! Pois o Mundo Real não tem tanto glamour e talvez não tanta diversão, mas é REAL. É de carne e osso. Existe. As pessoas envelhecem e mudam de verdade, e acreditem: isso é bom! As pessoas nem sempre são tão legais assim e isso também é bom! Porque é verdadeiro!
O segredo é conseguir ir e voltar dos dois mundos, se manter jovem de espírito e envelhecer de corpo, ao mesmo tempo. Se divertir, ser bonito e glamuroso, mas também ser de verdade e ter defeito. A Terra do Nunca e o Mundo Real quando visitados na freqüência correta, proporcionam pra gente o melhor dos dois mundos!