E de repente você aparece. Assim, do nada, tanto tempo depois. Quando eu quase achava que você não existia mais. Quer dizer, existir eu sempre tive a certeza que você existiria para sempre. Mas lá, meio congelado. Não assim vivo. Mas você tá vivo. Porra, muito vivo! E é desesperador saber que você ainda vive.
Na verdade nem foi você que apareceu, né?! Foi aquela foto. E todo mundo achando legal, te desejando felicidade, alegrias e o escambau. E eu odiando o Mark Zuckerberg, desde o dia que ele nasceu. Rede social é uma merda. Antigamente era menos fácil saber das coisas. Portanto era mais fácil não lembrar do que se deve esquecer. Enfim, esse negócio de Facebook/Twitter/etc só fode a gente. Especialmente porque é mais forte que a gente. E olha que eu já aprendi esse tema com louvor há uns meses atrás. Enfim, odeio o Mark. Sua foto foi a primeira coisa que ele mostrou quando eu abri. Como se o Facebook tivesse poderes mediúnicos de saber que era exatamente a última coisa que eu deveria ver. Mas foi a primeira. E aí fiquei eu, idiota, olhando fixamente para a imagem, sei lá, uns cinco minutos. Ou dez. Ou meia hora, não faço idéia de quanto tempo passou. Lindo, lindo, mágico. E todo mundo te parabenizando. Eu, inclusive. Porque, né?! Tinha. Fiquei feliz para caramba por você. Você nem imagina o quanto. Não mesmo. Eu quero tanto, tanto, tanto que você seja feliz, que você nem sabe. E eu sempre quis. Nem que para isso eu não fosse tão feliz assim. Igual eu não fiquei, olhando a foto. Igual não ficarei, toda vez que eu lembrar disso. Igual eu não fui tantas vezes naqueles anos. Porque eu não vou mentir pra você não - aliás, como eu nunca menti - rolaram até umas lágrimas. Não por você, claro que não. É o melhor momento da sua vida e eu jamais poderia ficar triste com isso. Foi por mim, que mais uma vez fiquei triste para deixar você feliz. Porque eu queria uma solução para isso, afinal já faz tanto tempo, né? Naquele momento, eu queria fazer parte da imagem. Que ela fosse minha, literalmente. Que os parabéns também fossem pra mim. Ou que eu só ficasse feliz por você. E não ficasse nada por mim. E pudesse conviver com essa foto, normalmente, assim como todas as pessoas. Você feliz aí, eu feliz aqui e tudo bem. Com essas minhas confusões gostosas dos últimos tempos e diversões e argentinos e jornalistas e programadores e PAs de caráter duvidoso e personais meio antinhas, mas divertidos. E você aí, com as suas alianças e fraldas. Não seria mais fácil? Se você parasse de aparecer sempre quando eu quase acho que você não existe mais? Como eu disse, você precisa existir. Sempre. Só que cada vez mais longe, (do Facebook também de preferência), por favor.