29 setembro, 2010

Artista do meio-termo

Recebo elogios pois sou criativa. Mas nem tanto assim pra trabalhar com criação. Recebo elogios pois escrevo bem. Mas escrevo só quando o "caboclo" escritor desce em mim, e isso acontece vez ou outra, com maior frequência em noites de insônia. Nem me peça para escrever ao meio-dia, sairão meia dúzia de linhas de imbecilidade. A não ser que essa seja a hora que eu "incorpore" o encosto... Eu costuro bem, mas faço gambiarras. Customizo roupas e elas ficam legais, mas não a ponto de poder levar isso a sério. Eu desenho e pinto bem, mas só quando é brincadeirinha. E também não sei recortar com precisão. Faço unhas como ninguém, mas tenho a mania nervosa de arrancar o esmalte da unha. Dou aulas razoáveis e adoro atividade física, mas não tenho a capacidade de dar uma estrela, possuo um repertório motor patético e mal consigo lançar uma bola em linha reta. Sou gente boa pra caramba, mas quase não falo, pois sou tímida. Tenho um baita humor, que quase ninguém sabe porque todo mundo acha que eu sou fechada. E todo o romance bobinho do mundo, atrás dessa carcaça pseudo-moderna.
Eu sei que não dá pra ter tudo na vida, mas é meio demais que a única coisa que consiga ser inteira, seja ser assim toda pela metade.

28 setembro, 2010

I got it!

Acho que comecei a aprender a brincar! Sei lá se será com o mesmo brinquedinho sempre, mas o importante é que entendi o psiché. Isso aí de modernidade, desapego e a porra toda. Eu fingi a vida toda que achava tudo muito normal e nunca achei. Sou uma máquina de pensar nas impressões, no dia seguinte, nas mensagens subliminares, nos "E se..." da vida. Mas agora eu entendi. Ou melhor, comecei. O caminho eu sei que é longo e cheio de recaídas. Mas dei passos fundamentais nas últimas semanas na minha saga pelo desapego de quando se tem vinte e poucos anos. E que muitos ao meu redor ainda carregam aos trinta, posso dizer com propriedade nesse caso.
Entendi como é querer alguma coisa, só porque se está com vontade. Sem nenhum outro motivo relevante, e sem nenhuma outra expectativa. Ok, talvez um motivinho paralelo, de se sentir 'prioridade', no caso que estou lembrando específicamente. Uma coisa meio "Hoje isso é meu, muito meu. Nem vem...". Mas é SÓ hoje. Amanhã não precisa. E no amanhã tudo é normal, sem encanar naquela frasezinha solta as 2h da madrugada que pareceu querer dizer outra coisa. Cara, isso é muito bom! Desapego! Exercitar o desapego. Fazer só porque se está com vontade. Ir embora só porque a vontade acabou. E ok! E fazer piada disso. E escrever um texto disso, sem achar estranho ou sem achar alguma coisa, alguma "consequência". Não, eu não serei assim pra sempre, porque eu não sou assim, substancialmente. Mas olha... tô pra ver algo mais libertador, do que entender o espírito da coisa...

16 setembro, 2010

Truqueiragem

Você jura que me dá o truque quantas vezes for, mas mal imaginava que eu também sou truqueira e sei fazer igual. Não fiz? E você percebeu, claro, e não teve muito como dar outro truque pra sair, pois eu claramente ia perceber. Já estamos nos acostumando com nossos truques, e não temos coragem de dar o truque neles. Ficamos sem graça com nós mesmos. Acho até que é uma questão de etiqueta... ou de estratégia.
Aí eu resolvo que vou fazer "a truqueira" mais uma vez e atrapalhar seus planinhos de carne nova para dar truque por aí. Vou, faço, consigo e resolvo. Voltei a ser a number one. Ao menos por hoje. Ponto para as meninas!
E nem eu mesma acredito como pude. Eu? Logo eu? Eu não era assim! Mas eu não poderia tolerar não ser a truqueira-mór da minha listinha imaginária. Isso seria pior que qualquer atitude que eu tomasse possuída pelo "caboclo da modernidade".
E dá tudo certo. Nos conformes. Perfeito. Naquele momento, você cai como um patinho. E eu venço. Mas eu esqueci que depois disso vem o truque que você dá em mim e eu caio toda santa vez. Aqueeele, o truque de ser algo que não existe em lugar algum, só na minha mente. E eu sou obrigada a levantar, pegar minha bolsa e ir embora o quanto antes, dando o truque em mim mesma de que isso era realmente o que eu queria fazer. Era, não era?

14 setembro, 2010

Inferno - By Tati Bernardi

Passo o dia com posts em potencial na minha mente. Só hoje, pensei em escrever sobre esse mundo moderno e prático, sobre a hipocrisia, ou sobre como eu não sei lidar com o mundo moderno nem com a hipocrisia no dia seguinte... Mas aí o cansaço é grande, o cérebro pifa e a inspiração pra escrever direito evapora com o passar das horas...
Aí me dá vontade de entrar no site da Tati Bernardi, em busca de um texto de alguém tão "mulherzinha" quanto eu, com todas as crises e frescura, e aí ela escreveu o "meu" post. Esse trecho aí se eu tivesse como naquele momento, poderia ter escrito quase igualzinho dias atrás... A diferença é que era sem a camiseta cheirosa...

" (...)
E nada adiantou, nada, porque desejo se forma em um lugar que é de onde somos também. Então eu teria que me deletar. E não adiantaria de agora, tipo: “não existo! Valendo!”. Teria que ser de antes. Mas complicou demais. E é por isso que escrevo isso da sua sala iluminada pelo sol mais feliz de todos que é o sol do dia seguinte quando ainda estamos no dia anterior. A vida que ultrapassa a gente só porque esses pequenos momentos de amor nos congelam dando uma falsa sensação de que pode ser bom pra sempre. Enquanto você dorme com uma camiseta cheirosa e é, posso dizer com certeza, a pessoa mais bonita que eu já vi numa cama desarrumada. Poucas coisas são tão claras como isso que percebo agora: você é tão bonito que eu tenho esse riso congelado mesmo quando está insuportável fazer xixi baixinho porque a droga do seu banheiro é colado com a cama sem ter uma mísera parede. Odeio as casas modernas e os casais modernos e o sexo moderno e ser moderna. Eu quero parar com essa vidinha e ter um amor pra vida. Mas e mas e mas e mas. Você é tão bonito que renova a mesmice do cinismo amoroso. Por você vale qualquer sombra na alma.



E é isso. Agora é suspirar feito besta, meus celulares e e-mails e o ar voltam a ser objetos de tortura, sempre a espera da próxima vez que você vai me pedir que morda o violão pra escutar a música dentro do cérebro. E você desafinando e meu cérebro consertando tudo dentro da minha imaginação. Não é amor porque amor é mais do que essa escravidão estética. Não é paixão porque eu só me apaixono por quem eu quero destruir e eu só quero limpar com uma palhinha de ouro seu corpo num pedestal. Não é só tesão, porque eu passaria o resto da minha existência fazendo carinho nos cachos do seu cabelo e você com 18 metros de altura parecendo um menino. Não é nada dessas coisas todas que a gente separa numa caixinha da mente pra continuar arrumando o resto das gavetas da vida. Então o quê? É isso, o xixi baixinho olhando a pessoa mais bonita que já vi numa cama desarrumada. É encantamento puro com um pouco de dor porque até a falta de dor tem muito de dor. E mais o sol e mais as formigas e mais a camiseta cheirosa e o xixi baixinho. É só o inferno"