23 junho, 2010

Edição

Parece uma novela. Não, não. Um filme. Um documentário, daqueles bem cheios de cortes e que se você perder uma piscada de olho, já perde o fio da meada. Se é que tem algum
Corta pra neurose! Pra ela pensando na moral e nos bons costumes e que é assim que a vida tem que ser. Corta pro trabalho! Corta e fica um tempão. No trabalho tem cena de tudo, de amor, de ódio, de tensão, de tristeza e arrependimento. Corta pro romance! Pro amor, pro homem da vida. Mas homem da vida é sempre cena rápida. Opa, pro trabalho de novo! Pro nervoso, seguido de alegria, seguido de raiva de novo, seguido de reconhecimento. E uma reclamação de salário. E umas dívidas. Corta pra consciência! Pro "o que eu tô fazendo?". Pro "era isso?". Corta pra recordação! Sim, era isso. Agora que ficou diferente... Corta pra diversão! Cerveja! Corta pra saudade! Corta pra modernidade! Cadê aquela neurose? Sumiu! O negócio é ser moderna! Corta pras cenas picantes! Corta pro dia seguinte! Ih, acabou o filme. É fita, rebobina!