26 abril, 2010

Remake

Gosto de reler meus posts. Engraçado como minhas crises e lamentações se repetem, só variando a proporção e o estilo de escrever. Bem possível que não sejam 'as minhas', mas as de todo mundo.
O post abaixo é do fim de 2008, mas eu poderia ter escrito ele ontem, hoje ou mês que vem.

A diferença é que eu tinha uma faculdade pra terminar, um estágio pra cumprir, um salário que não pagava nem minha gasolina da semana, um tcc pra fazer... enfim, todas essas desculpas esfarrapadas que vão fazendo a gente se prender na rotina e nunca arriscar.

Agora, eu tenho uma pós pra terminar, uma carteira assinada, muitos e-mails no Outlook, três quilos a menos, uma vida amorosa com um pouco mais de emoção (o que não significa que esteja 'ok'), o mesmo amor platônico, umas pessoas pra ter como inspiração para "desapegar", uma saudade brutal da vida de faculdade e um pouquinho mais de coragem. Coragem pra pelo menos pensar em correr risco em algum momento da vida.
E isso, pra capricorniana aqui, é um progresso do tamanho do mundo.
Talvez eu tenha agora também, o peso de ser "gente grande", uma dúvida de "o que será que eu queria da vida mesmo?" e um saco bem mais cheio do que naquela época. Mas o desapego, base fundamental pro "surto", é desenvolvido num processo bem, mas bem lento! Quem sabe, né?!



24/11/08
Morna


Ócio, orkut, uma boa vasculhada e assim surge um motivo de terapia...






Talvez seja afobação minha, inveja, dor de cotovelo...


A real é que crescemos, e eu resolvi recordar quem cresceu comigo... E descobri que para a grande maioria, mudanças grandiosas aconteceram.. pro bem e pro mal...


Há os que faliram, os que empreenderam, os que viajaram, os que cairam do cavalo, os que casaram, as que engravidaram, há de tudo...


E eu me enxerguei no meio deles, indo pelo caminho do mais ou menos, do morno. Não sei bem pra onde, mas indo. Talvez indo pra onde me falaram e eu acreditei.


O fato é que, nesses anos todos (que tudo bem, se for pensar são poucos) meio que "nada" aconteceu... Não houve uma grande mudança, uma grande alegria, uma grande decepção, um grande amor, uma grande traição, uma falência (toc, toc, toc), um prêmio da loteria, eu não enriqueci, nem surtei, nem comprei um apartamento, nem fui deserdada, nem fugi, nem me arrependi profundamente, nem tive uma idéia mirabolante, nem quebrei a casa toda, nem, nem, nem...


Simplesmente "não houve".


Não que seja uma reclamação, sabe?! Fiz bons amigos, dei boas risadas, chorei quando foi necessário, conquistei objetivos que jamais pensei que fosse, tomei umas cervejas, beijei umas bocas, escrevi uns posts, fui à Salvador matar saudades, xinguei umas pessoas, trabalhei em uns lugares, fiz umas compras, cantei umas músicas... não é ruim, tenho sido feliz...


Mas é que é sempre no "meio termo", na zona de conforto. É a parte lisa do asfalto. Que é legal, mas é o mais fácil. O que é bom, que me evita grandes transtornos... mas também me priva de grandes acontecimentos.


Sinto falta da trilha, da estrada de terra... das atitudes drásticas, das coisas emocionantes, das histórias e das fotos inesquecíveis.


Mas esse caminho que leva a gente da frustração pra atitude é difícil de achar... Exige vontade, exige paciência... mas deve ser quente... e valer a pena.