07 junho, 2011

E agora, José?

Foi assunto de um almoço com o pessoal da empresa esses dias uma coisa meio: eu quero estar aqui, mas eu também não quero, mas eu também quero um monte de coisas ao mesmo tempo que eu não sei o que eu quero. Sabe? Não? Mas é isso.

A grama do vizinho é mesmo mais verde que a nossa. Não, não me venha com esse papo de dar valor para o que se tem, pois isso eu já sei e já dou. Sou muito grata a tudo que tenho, todos que tenho e tudo que fiz. Sem dúvida alguma, posso dizer que além de uma certa competência, tenho uma sorte (toc, toc, toc) danada, pois até mesmo as coisas ruins da minha curta vida aconteceram em prol de alguma outra coisa boa.

Mas acontece que nunca é "só isso". Esse negócio de possibilidades enlouquece a gente, eu acho. Ver tanta gente, fazendo tantas coisas. Mesmo sabendo que elas também devem olhar para você de vez em quando e pensar a mesma coisa.

Afinal, eu poderia estar aqui e feliz, como de fato estou. Mas eu também poderia largar tudo e ir abrir uma pousada em Itacaré, ou ir trabalhar num bar em Londres, ou me enfiar num navio em Cozumel, ou estudar moda em Nova York, ou comprar um apartamento em Puerto Madero, ou só trocar o colchão e reformar meu quarto. Porque eu sinto mesmo vontade de fazer tudo isso, mas eu ainda não tive a sorte de ganhar na loteria, afinal só assim eu poderia fazer tudo com um grau mínimo de conforto, sem precisar me preocupar em "construir" nada!

E ao mesmo tempo, eu não sei se eu queria mesmo... Itacaré pode ser quente demais, eu posso enjoar no navio, ou achar os ingleses sem graça demais, e de repente não conseguir conviver com a correria de NY ou o atendimento ruim dos argentinos sem educação. Vai ver aqui é melhor mesmo, mas aí... como é que eu vou saber?

O que parece na verdade, é que fizeram a vida curta demais, para o tanto de possibilidades que ela tem. Definitivamente, não dá tempo de fazer tudo. E ó... vou dizer que escolher não anda nada fácil!

01 junho, 2011

Climão!

Preciso confessar: adoro constrangimentos. Sei que isso não é uma coisa muito legal, mas tenho um prazer mórbido por deixar as pessoas sem graça, o que eu posso fazer? Vou pro inferno? É pecado? Desculpa, mas é incontrolável. Não posso ver alguém tentando dar um truquezinho em alguma história que pronto, já estou lá soltando algo constrangedor para a pessoa!

Na verdade é uma verdadeira paixão por deixar revelar tudo aquilo que as pessoas tentam esconder (e eu sou muito boa em descobrir coisas escondidas). Porque isso de varrer poeira para debaixo dos tapetes não é muito a minha, eu quero mesmo é soprar a poeira, para que ela espalhe por aí. Afinal, sou partidária de que as pessoas deveriam ter "culhão" - como diria meu pai - suficiente para não precisar esconder ou camuflar o que fazem. E o culhão também vale para as moças, nesse caso. É um "Seje homi" que eu acho que deveria independer de sexo, idade ou classe social!

Veja bem, não confunda discrição com não assumir os próprios atos. Tem coisas que você simplesmente não espalha e outras que você não assume. Veja bem...

E por isso, eu crio climão, com todo gosto! E pior, sou boa nisso. Sempre vem a palavra certa, no momento oportuno. Mas claro, com muita classe. Afinal, eu não conto nada, apenas um "só para você saber que eu sei" que geralmente já é suficiente. Se você tem algo a esconder, você merece!

21 março, 2011

Feromônio é coisa do capeta!

Mulher é tudo bicho besta. Fato. Umas mais, umas menos, mas não há como fugir.
Aí você resolve que vai ser a da turma das "umas menos", e se livrar da vidinha sem sentido e dos seus relacionamentos hipócritas que vive.
E tá tudo bem, tá tudo certo. Você é linda, equilibrada e auto-suficiente. Você se basta e é feliz com isso. A típica mulher moderna, saca? Daquelas que dá entrevista nessas revista de mulheres modernas, bem resolvidas, que se bastam, e são felizes, e todas aquelas coisas de mulheres modernas. E que não precisam se envolver com homens idiotas ou qualquer outro adjetivo ruim a sua escolha, para ter algum tipo de benefício amoroso, financeiro, sexual, nada. Veja bem o verbo. "Precisam".

Mas aí essa tal dessa mulher moderna descobre uma coisa: os feromônios. Que distorcem completamente a noção entre querer e precisar. E atração não leva em consideração a ficha corrida do homem em questão, nem muito menos todas as merdas que ele pode fazer com você, como subestimar sua inteligência, por exemplo (crime número um na lista das mulheres de revista de mulher moderna). "Ok, eu não preciso mesmo dessa merda, mas eu quero loucamente." E é isso. Mas a sua inteligência nem está mais em questão, e sim os seus hormônios. Na primeira bobeada, o carnal ganha do racional e lá está você, possuída pela mulher bicho besta, desejando um babaca novamente a todo custo. 
Depois você que se entenda com a mulher moderna, tá?! Que essa porra aí vai dar um problemão.

09 março, 2011

Começomeioefim

Tenho uma certa dificuldade com desapegos, mas cada vez mais acho que a vida é feita de ciclos.

As coisas começam e terminam e isso não precisa ser um grande desastre. No trabalho, nos relacionamentos, na vida.

É difícil encerrar ciclos quando se fala de amizade. Eu ainda sou partidária de que deveria existir algo nas amizades tipo o "dar um tempo" nos namoros, ou aquele esquema de férias que eu já escrevi em algum post aí. Cansou? Tira uns 15 dias e depois fica tudo bem!

Mas mesmo assim, amizades terminam. Umas mais cedo, outras mais tarde. (sim, existem as eternas, existem as que vão e voltam, mas isso é papo pra outro post) Assim como namoros, contratos, filmes, livros... terminam.

E ok, sabe?! Ou deveria.

Acontece que, diferentemente das outras ocasiões, uma amizade não se termina explicitamente. Ela simplesmente dilui. Ou a pessoa deixa de fazer parte do seu contexto, ou você percebe que não faz mais parte da realidade da pessoa. E isso é o mais cruel. Você perceber que não está mais naquela "cena" e não saber ao certo como fechar a cortina.

O foda é que não é muito normal para o senso comum "demitir amigos". E deveria ser! Passamos muito tempo nos culpando, dando murro em ponta de faca... literalmente usando aquela expressão "forçar a amizade". Ô gastinho de energia desnecessário... O universo seria mais bacana se fosse normal fazer isso, sem parecer um monstro falso e mal agradecido. É só "incompatibilidade de agendas/objetivos/contexto"!

Posso começar a lista?

14 fevereiro, 2011

Cadê aquela eu que estava aqui?

Voltar as origens é bom. É bom mas dói.
É bom quando a gente acha o que a gente era um dia, e vê como é fácil ficar feliz, e rir e ter momentos legais.
É bom quando a gente percebe que tem pessoas que serão para sempre, mesmo que o para sempre acabe em alguns momentos. Quando ele recomeça, é como se nada tivesse acontecido e tá tudo bem.
É bom ser melhor amiga de alguém e vice versa, mesmo que você nem saiba mais o que acontece na vida da pessoa.
É bom só pela segurança de ter uma "melhor amiga", que mesmo que não faça idéia do que está acontecendo hoje, vai acertar e dizer a frase que você precisa ouvir.
É bom perceber que não é tão difícil assim mudar de ares, nem tão arriscado.
Mas dói. Muito.
Dói saber que perdeu seu próprio mapa e rumou para onde o vento levou.
Dói saber que não dá pra ser assim o tempo todo.
Dói não entender ao certo onde isso se perdeu, ou de quem foi a culpa.
Dói não ter controle suficiente na realidade para simplesmente optar por voltar.
Dói se perder no meio da rotina, das cobranças ou daquilo que você nem sabe o que é.
Dói encontrar você mesmo de novo, no meio dos cacos disso tudo tão legal que você era.

02 fevereiro, 2011

Dados

Peão de jogo de tabuleiro. É o que parece. E você está jogando, comigo. Arremessam os dados e lá vou eu, peão, pulando casinhas. O mundo e tudo que está jogando só tiram números altos, me levando pra frente. Vem você, joga na sua vez e tira toda a minha vantagem. Em um mexer de mãos. Se os dados tivessem números negativos, eles apareceriam na sua vez. -6, -15, -100 lá vou eu regredindo as casas. Se fosse um Banco Imobiliario, eu teria falido toda vez que você aparece. Eu perco todas a propriedades. Mesmo sabendo que já já vão aparecer números novos e eu vou casas para frente. Mas acabo nunca saindo do mesmo pedaço do tabuleiro, indo e voltando sem parar. É sempre assim. Parece que eu não vou ganhar esse jogo nunca. Eu só queria mesmo, que alguém passasse e esbarrace na mesa. Assim cairia tudo e eu ia pedir pra jogar uma nova partida com outra pessoa.

27 dezembro, 2010

Quantos eus cabem dentro de você?

Costumo dizer que moram umas três ou quatro "Eus", dentro de mim. Assim de bate-pronto, consigo me lembrar de três, para descrever: Uma é metódica, cheia de tradições, moral e bons costumes. E chata, muito chata. A famosa empata-foda. Ela é quem corta todos os baratos, limita o uso de drogas e termina a balada cedo. É ela que fecha o caixa no fim da noite também, empilha todos os grampos, faz planilhas de Excel e contas na HP. E diz que a sua mãe ia ficar muito decepcionada se visse isso, e que eu vou ficar pobre pra sempre se continuar assim. Chata, chata, chata.

Tem outra que é meio louca, coitada. Não tem essa organização toda da primeira, se perde um pouco nas histórias, mas teoriza tudo. T-u-d-o. Aí, coitadinha, ela sofre de mania de perseguição! Gasta horas e mais horas juntando o dado de hoje, com o fato do mês passado, mais uma dose de intuição - sim, ela é a "vidente" da galera - e pronto! Cria teorias pra que as coisas mais absurdas façam sentido. Ou pra concluir algo "inconcluível". E sabe o que é pior? Quase sempre ela acerta! O grande problema é que isso não tem fim, e enquanto ela está concluindo que "talpessoafeztalcoisaportalmotivo", ou que o mundo conspira a favor de "X" ou contra ela, a vida vai passando.

Tem mais uma, que é gente boa pra caramba. Que diz "relaaaaaaaaaaxa beesha" e acha tudo normal. E ri, ri muito de todas as coisas. Porque tudo é engraçado e leve e experiência e funciona assim mesmo. E tem plena convicção de que não tem nada melhor que ter espírito jovem. E que ninguém vai viver a vida dela por ela, então bora aproveitar! E depois? Bom... depois a gente vai rir disso tudo mesmo, então aproveita, mesmo que isso não seja assim muito 'politicamente correto'.

Elas são todas falantes, e gritam sem parar. Eu, fico olhando de fora, assustada as vezes, com os berros que elas dão, todas ao mesmo tempo. As vezes eu respondo dando razão para uma ou para outra, as vezes deixo as três brigando e finjo que não estou ouvindo ninguém, ou dá vontade de expulsar todo mundo e ter um pouco de paz.

De vez em quando vem umas outras "Eu" visitar, mas logo vão embora. De vez em quando eu ouço Kate Nash, ou converso com as pessoas que também me contam de seus "eus", aí parece mais humano e normal, ter tanta gente morando dentro de um corpo só.

23 dezembro, 2010

Paisagismo

Há momentos da vida que só ela salva: a boa e velha cara de paisagem.

Cara de paisagem é nada mais que a expressão de "coisa alguma", naqueles momentos onde expressar alguma coisa pode de alguma maneira, foder tudo. Uma expressão pode simplesmente estragar qualquer situação ou estratégia. Mostra todas as "vulnerabilidades".

Funciona muito naquelas horas de "eu sei o que vocês fizeram no verão passado", onde algum assunto rola solto e a culpa no cartório também. E se é tudo em off, então, olhe para o nada, como se contemplasse uma bela visão, sorria e acene, como se nada estivesse acontecendo, como se você não soubesse que tudo aquilo é mentira, ou que você fez o contrário daquilo que dizem, ou que vocês nem tivessem dormido juntos na noite passada, etc, etc.

A paisagem ainda salvará o mundo de todos os constrangimentos. Um viva ao estilo cara de pau de ser, pois se  aquela frase cafona "se não lembro, não fiz" procede, a variação "se eu finjo bem que não me lembro, eu não fiz" vale mais ainda!!!

10 dezembro, 2010

Chave

Cada um tem suas manias e seus apegos. Um dos meu grandes apegos na vida, é meu carro. Apesar de sujo, com umas coisas pra consertar, gasolina quase sempre na reserva e bagunça dentro, ele é MEU. Mexe comigo, mas não mexe no meu carro. Não dou, não vendo e principalmente: Não empresto.

Ou melhor, acho que empresto pra quem eu genuinamente confiar a ponto de entregar algo tãããão meu. Contabilizando, até hoje que eu me lembre apenas pessoas que compartilham o mesmo sangue que eu viraram a chave na ignição. E a exceção foi outro dia, no escritório, que meu carro estava onde era proibido, os guardas estavam multando, o Capi tava por ali visitando e se ofereceu pra tirar meu carro. Talvez tenha sido o meu maior ato de desapego do ano (e olha que esse ano eu tive muitos!), ou eu confio nele pra caralho mesmo.

O fato é que por essa coisa toda com o carro, muita gente nesses anos ficou magoadinha comigo, ou qualquer coisa assim, confundindo todas as coisas: gostar com confiar, confiar com "entregar", etc, etc.

Tem bastante gente que eu gosto, mas não confio. Tem gente que eu confio, mas não gosto. Tem - muita - gente que eu gosto e confio, mas não me entrego. E ok! Não desmerece, nem muda meu sentimento por ninguém. Não é assim tão difícil de compreender, é?! E tem uma parcela mínima da "minha população", pra quem eu realmente entrego a chave do carro...

25 novembro, 2010

Calendário

Hoje, em meio ao limbo dos afazeres estressantes, correrias e problemas, me vi muito feliz com duas ou três bobeirinhas que aconteceram ao longo do dia. Muito mesmo. Uma mensagem bonitinha, uma ligação legal, um flertezinho novo. E bastou isso para que todo o resto ficasse pequeno e o dia terminasse na categoria "dias legais".

Logo me lembrei de uma semana atrás, enquanto curtia o auge dela... a tão falada, famosa e temida TPM.
Não queridos homens, isso não é uma simples frescura, é tão real que chego a pensar que sou louca. Lembrando de mim, possuída por esse demônio hormonal, confabulando comigo mesma inúmeras formas de morte cruel para as pessoas que na ocasião estavam me irritando. Não, eu não tenho vontade de matar nenhuma delas, porém eu se fato SERIA CAPAZ. E elas nem estavam de fato me irritando, mas só o fato de respirar o mesmo ar que eu, já parecia motivo suficiente.

E aí, eis que um simples útero é capaz de migrar para tanta paz e auto-controle... Feliz por uma mensagenzinha... Ser mulher me assusta.

06 novembro, 2010

Descarrego

Eu jurava que era algum karma de vida passada, que sobrou para que eu resgatasse nessa encarnação. Normal, todo mundo tem uma cruzinha que sobra, a gente carrega e passa. não seria a primeira vez.
E vamos combinar que nesses anos todos, todos os seus momentos de dissimulação ou de provocação pura, que me levaram a todos de loucura e ódio e todas as coisas que eu fiz por/para/com você e depois me arrependi ou me culpei ou me odiei eternamente por ter feito, eu pensei que tivessem sido suficientes para quitar todos os meus pecados e poder seguir em frente.

Mas não. Hoje, enquanto você me cutucava debaixo da mesa... e eu assim, meio de maneira despretensiosa apoiava minha perna na sua quase que por reflexo, eu me dei conta que não. Você não é um karma. Você é um encosto. É um espírito do mal. Não é simplesmente pra me fazer pagar pecados. É pra me fazer cometer mais, uma penca deles. E toda vez que eu respondo alguma piadinha sua com uma provocação "afirmativa", eu ganho mais umas horas de purgatório. Assim como quando você vem fazer chantagenzinha emocional, e me faz passar uma noite pensando numa frase de 5 palavras. Eu peco comigo mesma. Contra os meus próprios mandamentos. Você é contra tudo meu. Contra o que eu penso, contra o que eu acho certo, contra o que eu quero pra mim. Você não me faz bem. E eu nem gosto de você. De nada que você é. E você só pode ser um encosto, pois mesmo assim, mesmo sabendo de tudo isso, seu espírito me persegue. Sem controle. Quando eu percebo, o caboclo já tomou conta, e eu tô rendida, pecadora. Se fosse um karma, você teria fim. Mas eu canto, canto e você não sobe.

02 novembro, 2010

Comercial de margarina

Eu morro de medo de gente perfeita. Sabe, gente de comercial de margarina? Que não tem um fio de cabelo fora do lugar? São o tipo de ser humano que me desperta o maior dos pavores do mundo.

Toda vez que eu vejo aquela família de irmãos lindos, educados, bem sucedidos, casados com mulheres lindas, com filhos maravilhosos, unidos e ricos, me dá arrepios. Ao mesmo tempo que dá uma certa inveja (sejamos francos), mas dá um medo grandão. Eu penso na minha, e nos almoços de domingo onde vira e mexe alguém sai "baleado" por algum sincericídio alheio, ou algo assim. Ou em tantas outras famílias que eu sei que não tem nem almoço aos domingos. O que será que eles, da margarina, devem falar no almoço de domingo? Sobre cultura e futuro dos negócios? Na minha a gente faz fofoca da parentada! Eles cochilam depois? Será que a louça simplesmente some da mesa, magicamente, quando alguém estala o dedo? No mundo dos comerciais de margarina deve ser assim...

Aí eu lembro daquele cara, ma-ra-vi-lho-so... lindo, educado, puta profissional, inteligente, HETERO e tudo mais que toda mulher sempre sonhou. Apesar de cobiçá-lo loucamente, assim como a torcida do Flamengo, estudo cada movimento atrás de um defeito, afinal, não é possível! Chulé? Tem bafo? Não peida? Aqui no meu mundo os homens não são assim tão legais. Ou se são, estão te enganando. Ou foi você que aceitou. Será que esse homem de margarina faz isso também? Ou dorme sempre lindinho e cheiroso, sempre de cuecas Calvin Klein e acorda como se estivesse pronto pra uma sessão de fotos?
A família mais de margarina que eu conheço, o cara trabalha com tudo que eu queria fazer profissionalmente na vida. Tem uma esposa-modelo que é tudo que eu queria ser fisicamente na vida. Tem dois filhos que eu poderia me congelar agora para encontrá-los daqui vinte anos. E dinheiro. E saúde. E tudo. É perfeito. Nunca brigam. Tem uma casa linda. E arrumadíssima, mesmo com os dois pimpolhos. Até a bagunça deles é perfeita. E eu tenho uma legião de pessoas que já tentaram encontrar um "buraco" nessa história, mas nunca apareceu. Eu MORRO de medo deles.

Meu maior medo é que eles realmente sejam perfeitos, pois achar falhas "gêmeas" faz as coisas parecerem tão mais humanas!

28 outubro, 2010

Bola de cristal

Essa minha mania de descobrir tudo ainda me mata! Eu faço meio a linha vidente, tenho uma intuição desnecessariamente precisa, e sim, descubro TUDO! Não adianta querer esconder, eu saberei. Não adianta fazer longe de mim, eu perceberei. Eu deduzo e concluo corretamente até coisas que não tem nada a ver comigo. Aí que tá a merda. Eu descubro tudo sobre você e esse tudo é muita coisa pra mim. Eu não suporto ficar sabendo de tudo e ter que agir como não soubesse de nada, ou não achasse nada de tudo que eu sei.
Eu sei de tudo e odeio tudo isso. Esse monte de informações, fofocas, babado e confusão. Odeio saber como essa sua agenda é cheia que não sobra tempo pra mim. Ou sobra e eu sou obrigada a rejeitá-lo, por ser orgulhosa demais para aceitar minha fatiazinha. Pois eu sei de tudo, sei de todas as outras fatias que você distribui por aí. Algumas eu não sei, mas "eu sei", sabe?! Eu sei de tudo e nem todo mundo sabe. E por um lado isso é até divertido, afinal eu posso jogar com as informações que as outras pessoas nem imaginam de você. E nem você sabe que eu sei. Mas eu sei. E isso é engraçado. Conversar em mensagens subliminares de você com alguém, ou de alguém com você. E tudo estar envolvido, escondido. Mas eu saber, e fingir que nem imagino. É engraçado, e triste. Porque também dá vontade de pedir para parar com essa farsa e fazer sumir todo mundo da minha frente e eu nunca mais saber nada. E nunca mais imaginar que existam outras fatias. E nunca mais precisar fingir não saber algo que eu sei todos os detalhes. Dá vontade de jogar essa bola de cristal na parede, e parar de descobrir pra sempre!

22 outubro, 2010

Chumbo Trocado

Descobri que todo mundo sabia algo que eu achei que já soubessem mesmo. Não, não me assustei com quem "contou", afinal, se isso não acontecesse aí sim era pra eu estranhar. O ser humano é assim mesmo, precisa ostentar, gongar ou seja lá o que for, pros outros, aos quatro, oito, mil ventos.

O fato é que eu fiquei "meio assim", óbvio, ninguém gosta de "cair na boca do povo" sem dar a devida permissão.

 
E em seguida pensei: Poxa, mas eu fiz a mesmíssima coisa (ou pior, vai saber) com essa pessoa.

Logo, conclui racional e justamente, que não deveria ficar "meio assim", nem nada, afinal nós fizemos a mesma coisa um com o outro, então eu deveria ficar quieta, assumir minha parte da culpa e tocar a vida pra frente, afinal não tem aquela máxima de:





"Não faça com os outros aquilo que não deseja que façam com você"





É O CACETE!!!!

Desculpa meu amor, mas lá na minha terra, EU posso fazer coisas com as pessoas que, OS OUTROS não podem fazer comigo e pronto! Eu quero assim e acabou, quem é você pra dizer alguma coisa?!

Foda-se que eu falei de você com Deus e o mundo, quem te deu o direito de falar de mim pra alguém? Hein? Hein?

E eu quero sim, ficar "meio assim", "mais assim", "muito assim". Eu quero sim ficar puta, louca, surtar de ódio, te bater, te matar!

Eu não quero esse negócio de "Chumbo trocado não dói", eu quero é meter chumbo no meio da sua cara!!!

20 outubro, 2010

Assuntinho

Agora nós somos civilizados. Fiz questão de sublimar meu ódio/ciúme/birra/loucura de você e mostrar o quanto sou legal. Ok, eu não sou muito. Na verdade eu vi que não tinha muito o que fazer, a não ser que eu surtasse e fizesse a paranóica apaixonada, que não é o caso. E se não tinha o que fazer e eu não pretendia simplesmente eliminar você do meu convívio, resolvi socializar.
Eu gosto de você perto. Não tão longe que eu morra de saudades, nem tão perto que eu fique com vontade de te matar ou casar com você. Então é essa a estratégia pra ter você. Socializando. Falando sobre amenidades e coisas engraçadinhas. Mas não sempre também, pra não ficar muito próximo Assim a gente sempre tem assunto e parece que tá tudo legal. E dói menos, porque eu lembro menos. Mas também não esqueço, pois eu não gosto de simplesmente deixar as coisas "pra lá" assim. A gente vai ter sempre uma conversinha pra ter, você vai soltar suas indiretas, eu vou  fingir que não entendi, ou vou rir ironicamente e seguir o papo. E sentir que continua tudo como sempre foi. Vem na minha, eu já usei essa estratégia antes, com um monte de gente igual você. Deu certo. Quer dizer... mais ou menos. Tá, não muito. Enfim, nevermind, posso tentar de novo com você?

Lulucão

Um cachorro não é só um animal. É um companheiro de vida. Não é a toa sua fama de melhor amigo do homem. É melhor amigo QUE os homens. Só não devia morrer tão cedo. É muito pouco pra dividir, é muito rápido pra aproveitar. Deixa um vazio estranho, uma sensação esquizofrênica de ser "só" um cachorro e ao mesmo tempo um cachorro que valia muito mais que muita gente. Aliás, mais que quase todo mundo que eu conheço.
E uma casa triste, sem vida. Mesmo que a vida significasse uma dormida de quase um dia todo, em sua confortável almofada vermelha.

12 outubro, 2010

Quanto tempo dura um mês?

30 fatos que cabem dentro de um mês: Reencontrar um grande amor. E perdê-lo pelo caminho, ou descobrir que o amor de repente ficou meio pequeno. E ter a melhor noite da sua vida. E chorar uma noite inteira depois. E dançar como se ninguém estivesse vendo. E rir de qualquer coisa. E achar que tem tudo na vida. E amar o que você faz. E não estar satisfeita com nada. E achar o mundo hipócrita, cheio de gente falsa. E amar todas as pessoas que estão com você. E realizar um sonho que achou que nunca fosse, mas que no fundo nem é tudo isso. E ter um relacionamento moderno, achando sexo casual o máximo. E desistir de achar que você é moderna. E acreditar em alguém, em algum propósito. E ver que seus "ídolos" são gente como a gente, ou piores até. E emagrecer de felicidade e auto-estima. E ser disciplinada. E odiar sexo casual, querer um grande amor casamento e filhos. E gastar tudo pra suprir carências. E querer poupar pra ser responsável. E achar viável jogar tudo pro alto, mas sentir medo. E querer ligar pra alguém e falar umas verdades. E esnobar quem está sempre atrás de você. E se achar o ser humano mais poderoso do mundo. E em seguida o menos, afinal você também queria. E sofrer, ficar carente e ingerir todo o carboidrato do mundo de baixa-estima. E achar divertido. E seguir rindo da própria tragédia/loucura.
Nem sei quem você é. Mas já te odeio. E talvez você seja uma pessoa super bacana, com quem eu me daria super bem e me divertiria horrores. Mas eu te odeio. Com todas as minhas forças. Odeio de chorar de ódio. Quando você chora de ódio, é porque já esgotou todo o repertório de sentimentos ruins e reações pra esses sentimentos. Porque chorar não é pra isso. Mas eu choro de ódio. Muito. Porque você me lembra daquilo que eu não consigo ser. Não porque eu tenha inveja do que você tem. Eu não queria ter nada disso. Eu só não queria que ninguém mais tivesse. Eu não queria que você existisse. Só isso. Você deve estar feliz e contente na sua vidinha, e eu aqui me dedicando a gastar meu tempo te odiando. E nem é culpa sua. E eu nem te conheço. Mas eu te odeio mesmo assim. Te odeio pelo ódio que você dá de mim.

09 outubro, 2010

Onde vende esse remédio que faz a gente parar de inventar pessoas e guardá-las dentro, só pelo prazer de ter um choque de realidade?
Não, não era como eu pensei. Mas eu sempre soube que não. Então porque essa mente criativa insiste em ver fantasmas do que eu queria que fosse?
É possível a necessidade de um psiquiatra, pois é quase esquizofrênico. Saber que algo não existe. E saber mesmo, por fatos e dados, como diriam lá na metanóia. E mesmo assim ter em mente algo que eu criei só pra mim e não é de carne e osso. E aí dá raiva disso não existir e eu ju-rar que existe. E tristeza. Por que é triste essa vontade de vomitar o nada de tanta raiva de mim. Essa coisa de querer sair pra rua e de querer ficar escondida debaixo da cama, tudo ao mesmo tempo, porque o mundo não acontece como eu quero. E de me culpar por toda ação e achar que é tudo culpa minha. Das coisas serem assim não é, pois as coisas são assim. Mas de eu inventar tudo, é. Que ódio.

29 setembro, 2010

Artista do meio-termo

Recebo elogios pois sou criativa. Mas nem tanto assim pra trabalhar com criação. Recebo elogios pois escrevo bem. Mas escrevo só quando o "caboclo" escritor desce em mim, e isso acontece vez ou outra, com maior frequência em noites de insônia. Nem me peça para escrever ao meio-dia, sairão meia dúzia de linhas de imbecilidade. A não ser que essa seja a hora que eu "incorpore" o encosto... Eu costuro bem, mas faço gambiarras. Customizo roupas e elas ficam legais, mas não a ponto de poder levar isso a sério. Eu desenho e pinto bem, mas só quando é brincadeirinha. E também não sei recortar com precisão. Faço unhas como ninguém, mas tenho a mania nervosa de arrancar o esmalte da unha. Dou aulas razoáveis e adoro atividade física, mas não tenho a capacidade de dar uma estrela, possuo um repertório motor patético e mal consigo lançar uma bola em linha reta. Sou gente boa pra caramba, mas quase não falo, pois sou tímida. Tenho um baita humor, que quase ninguém sabe porque todo mundo acha que eu sou fechada. E todo o romance bobinho do mundo, atrás dessa carcaça pseudo-moderna.
Eu sei que não dá pra ter tudo na vida, mas é meio demais que a única coisa que consiga ser inteira, seja ser assim toda pela metade.