25 novembro, 2010

Calendário

Hoje, em meio ao limbo dos afazeres estressantes, correrias e problemas, me vi muito feliz com duas ou três bobeirinhas que aconteceram ao longo do dia. Muito mesmo. Uma mensagem bonitinha, uma ligação legal, um flertezinho novo. E bastou isso para que todo o resto ficasse pequeno e o dia terminasse na categoria "dias legais".

Logo me lembrei de uma semana atrás, enquanto curtia o auge dela... a tão falada, famosa e temida TPM.
Não queridos homens, isso não é uma simples frescura, é tão real que chego a pensar que sou louca. Lembrando de mim, possuída por esse demônio hormonal, confabulando comigo mesma inúmeras formas de morte cruel para as pessoas que na ocasião estavam me irritando. Não, eu não tenho vontade de matar nenhuma delas, porém eu se fato SERIA CAPAZ. E elas nem estavam de fato me irritando, mas só o fato de respirar o mesmo ar que eu, já parecia motivo suficiente.

E aí, eis que um simples útero é capaz de migrar para tanta paz e auto-controle... Feliz por uma mensagenzinha... Ser mulher me assusta.

06 novembro, 2010

Descarrego

Eu jurava que era algum karma de vida passada, que sobrou para que eu resgatasse nessa encarnação. Normal, todo mundo tem uma cruzinha que sobra, a gente carrega e passa. não seria a primeira vez.
E vamos combinar que nesses anos todos, todos os seus momentos de dissimulação ou de provocação pura, que me levaram a todos de loucura e ódio e todas as coisas que eu fiz por/para/com você e depois me arrependi ou me culpei ou me odiei eternamente por ter feito, eu pensei que tivessem sido suficientes para quitar todos os meus pecados e poder seguir em frente.

Mas não. Hoje, enquanto você me cutucava debaixo da mesa... e eu assim, meio de maneira despretensiosa apoiava minha perna na sua quase que por reflexo, eu me dei conta que não. Você não é um karma. Você é um encosto. É um espírito do mal. Não é simplesmente pra me fazer pagar pecados. É pra me fazer cometer mais, uma penca deles. E toda vez que eu respondo alguma piadinha sua com uma provocação "afirmativa", eu ganho mais umas horas de purgatório. Assim como quando você vem fazer chantagenzinha emocional, e me faz passar uma noite pensando numa frase de 5 palavras. Eu peco comigo mesma. Contra os meus próprios mandamentos. Você é contra tudo meu. Contra o que eu penso, contra o que eu acho certo, contra o que eu quero pra mim. Você não me faz bem. E eu nem gosto de você. De nada que você é. E você só pode ser um encosto, pois mesmo assim, mesmo sabendo de tudo isso, seu espírito me persegue. Sem controle. Quando eu percebo, o caboclo já tomou conta, e eu tô rendida, pecadora. Se fosse um karma, você teria fim. Mas eu canto, canto e você não sobe.

02 novembro, 2010

Comercial de margarina

Eu morro de medo de gente perfeita. Sabe, gente de comercial de margarina? Que não tem um fio de cabelo fora do lugar? São o tipo de ser humano que me desperta o maior dos pavores do mundo.

Toda vez que eu vejo aquela família de irmãos lindos, educados, bem sucedidos, casados com mulheres lindas, com filhos maravilhosos, unidos e ricos, me dá arrepios. Ao mesmo tempo que dá uma certa inveja (sejamos francos), mas dá um medo grandão. Eu penso na minha, e nos almoços de domingo onde vira e mexe alguém sai "baleado" por algum sincericídio alheio, ou algo assim. Ou em tantas outras famílias que eu sei que não tem nem almoço aos domingos. O que será que eles, da margarina, devem falar no almoço de domingo? Sobre cultura e futuro dos negócios? Na minha a gente faz fofoca da parentada! Eles cochilam depois? Será que a louça simplesmente some da mesa, magicamente, quando alguém estala o dedo? No mundo dos comerciais de margarina deve ser assim...

Aí eu lembro daquele cara, ma-ra-vi-lho-so... lindo, educado, puta profissional, inteligente, HETERO e tudo mais que toda mulher sempre sonhou. Apesar de cobiçá-lo loucamente, assim como a torcida do Flamengo, estudo cada movimento atrás de um defeito, afinal, não é possível! Chulé? Tem bafo? Não peida? Aqui no meu mundo os homens não são assim tão legais. Ou se são, estão te enganando. Ou foi você que aceitou. Será que esse homem de margarina faz isso também? Ou dorme sempre lindinho e cheiroso, sempre de cuecas Calvin Klein e acorda como se estivesse pronto pra uma sessão de fotos?
A família mais de margarina que eu conheço, o cara trabalha com tudo que eu queria fazer profissionalmente na vida. Tem uma esposa-modelo que é tudo que eu queria ser fisicamente na vida. Tem dois filhos que eu poderia me congelar agora para encontrá-los daqui vinte anos. E dinheiro. E saúde. E tudo. É perfeito. Nunca brigam. Tem uma casa linda. E arrumadíssima, mesmo com os dois pimpolhos. Até a bagunça deles é perfeita. E eu tenho uma legião de pessoas que já tentaram encontrar um "buraco" nessa história, mas nunca apareceu. Eu MORRO de medo deles.

Meu maior medo é que eles realmente sejam perfeitos, pois achar falhas "gêmeas" faz as coisas parecerem tão mais humanas!

28 outubro, 2010

Bola de cristal

Essa minha mania de descobrir tudo ainda me mata! Eu faço meio a linha vidente, tenho uma intuição desnecessariamente precisa, e sim, descubro TUDO! Não adianta querer esconder, eu saberei. Não adianta fazer longe de mim, eu perceberei. Eu deduzo e concluo corretamente até coisas que não tem nada a ver comigo. Aí que tá a merda. Eu descubro tudo sobre você e esse tudo é muita coisa pra mim. Eu não suporto ficar sabendo de tudo e ter que agir como não soubesse de nada, ou não achasse nada de tudo que eu sei.
Eu sei de tudo e odeio tudo isso. Esse monte de informações, fofocas, babado e confusão. Odeio saber como essa sua agenda é cheia que não sobra tempo pra mim. Ou sobra e eu sou obrigada a rejeitá-lo, por ser orgulhosa demais para aceitar minha fatiazinha. Pois eu sei de tudo, sei de todas as outras fatias que você distribui por aí. Algumas eu não sei, mas "eu sei", sabe?! Eu sei de tudo e nem todo mundo sabe. E por um lado isso é até divertido, afinal eu posso jogar com as informações que as outras pessoas nem imaginam de você. E nem você sabe que eu sei. Mas eu sei. E isso é engraçado. Conversar em mensagens subliminares de você com alguém, ou de alguém com você. E tudo estar envolvido, escondido. Mas eu saber, e fingir que nem imagino. É engraçado, e triste. Porque também dá vontade de pedir para parar com essa farsa e fazer sumir todo mundo da minha frente e eu nunca mais saber nada. E nunca mais imaginar que existam outras fatias. E nunca mais precisar fingir não saber algo que eu sei todos os detalhes. Dá vontade de jogar essa bola de cristal na parede, e parar de descobrir pra sempre!

22 outubro, 2010

Chumbo Trocado

Descobri que todo mundo sabia algo que eu achei que já soubessem mesmo. Não, não me assustei com quem "contou", afinal, se isso não acontecesse aí sim era pra eu estranhar. O ser humano é assim mesmo, precisa ostentar, gongar ou seja lá o que for, pros outros, aos quatro, oito, mil ventos.

O fato é que eu fiquei "meio assim", óbvio, ninguém gosta de "cair na boca do povo" sem dar a devida permissão.

 
E em seguida pensei: Poxa, mas eu fiz a mesmíssima coisa (ou pior, vai saber) com essa pessoa.

Logo, conclui racional e justamente, que não deveria ficar "meio assim", nem nada, afinal nós fizemos a mesma coisa um com o outro, então eu deveria ficar quieta, assumir minha parte da culpa e tocar a vida pra frente, afinal não tem aquela máxima de:





"Não faça com os outros aquilo que não deseja que façam com você"





É O CACETE!!!!

Desculpa meu amor, mas lá na minha terra, EU posso fazer coisas com as pessoas que, OS OUTROS não podem fazer comigo e pronto! Eu quero assim e acabou, quem é você pra dizer alguma coisa?!

Foda-se que eu falei de você com Deus e o mundo, quem te deu o direito de falar de mim pra alguém? Hein? Hein?

E eu quero sim, ficar "meio assim", "mais assim", "muito assim". Eu quero sim ficar puta, louca, surtar de ódio, te bater, te matar!

Eu não quero esse negócio de "Chumbo trocado não dói", eu quero é meter chumbo no meio da sua cara!!!

20 outubro, 2010

Assuntinho

Agora nós somos civilizados. Fiz questão de sublimar meu ódio/ciúme/birra/loucura de você e mostrar o quanto sou legal. Ok, eu não sou muito. Na verdade eu vi que não tinha muito o que fazer, a não ser que eu surtasse e fizesse a paranóica apaixonada, que não é o caso. E se não tinha o que fazer e eu não pretendia simplesmente eliminar você do meu convívio, resolvi socializar.
Eu gosto de você perto. Não tão longe que eu morra de saudades, nem tão perto que eu fique com vontade de te matar ou casar com você. Então é essa a estratégia pra ter você. Socializando. Falando sobre amenidades e coisas engraçadinhas. Mas não sempre também, pra não ficar muito próximo Assim a gente sempre tem assunto e parece que tá tudo legal. E dói menos, porque eu lembro menos. Mas também não esqueço, pois eu não gosto de simplesmente deixar as coisas "pra lá" assim. A gente vai ter sempre uma conversinha pra ter, você vai soltar suas indiretas, eu vou  fingir que não entendi, ou vou rir ironicamente e seguir o papo. E sentir que continua tudo como sempre foi. Vem na minha, eu já usei essa estratégia antes, com um monte de gente igual você. Deu certo. Quer dizer... mais ou menos. Tá, não muito. Enfim, nevermind, posso tentar de novo com você?

Lulucão

Um cachorro não é só um animal. É um companheiro de vida. Não é a toa sua fama de melhor amigo do homem. É melhor amigo QUE os homens. Só não devia morrer tão cedo. É muito pouco pra dividir, é muito rápido pra aproveitar. Deixa um vazio estranho, uma sensação esquizofrênica de ser "só" um cachorro e ao mesmo tempo um cachorro que valia muito mais que muita gente. Aliás, mais que quase todo mundo que eu conheço.
E uma casa triste, sem vida. Mesmo que a vida significasse uma dormida de quase um dia todo, em sua confortável almofada vermelha.

12 outubro, 2010

Quanto tempo dura um mês?

30 fatos que cabem dentro de um mês: Reencontrar um grande amor. E perdê-lo pelo caminho, ou descobrir que o amor de repente ficou meio pequeno. E ter a melhor noite da sua vida. E chorar uma noite inteira depois. E dançar como se ninguém estivesse vendo. E rir de qualquer coisa. E achar que tem tudo na vida. E amar o que você faz. E não estar satisfeita com nada. E achar o mundo hipócrita, cheio de gente falsa. E amar todas as pessoas que estão com você. E realizar um sonho que achou que nunca fosse, mas que no fundo nem é tudo isso. E ter um relacionamento moderno, achando sexo casual o máximo. E desistir de achar que você é moderna. E acreditar em alguém, em algum propósito. E ver que seus "ídolos" são gente como a gente, ou piores até. E emagrecer de felicidade e auto-estima. E ser disciplinada. E odiar sexo casual, querer um grande amor casamento e filhos. E gastar tudo pra suprir carências. E querer poupar pra ser responsável. E achar viável jogar tudo pro alto, mas sentir medo. E querer ligar pra alguém e falar umas verdades. E esnobar quem está sempre atrás de você. E se achar o ser humano mais poderoso do mundo. E em seguida o menos, afinal você também queria. E sofrer, ficar carente e ingerir todo o carboidrato do mundo de baixa-estima. E achar divertido. E seguir rindo da própria tragédia/loucura.
Nem sei quem você é. Mas já te odeio. E talvez você seja uma pessoa super bacana, com quem eu me daria super bem e me divertiria horrores. Mas eu te odeio. Com todas as minhas forças. Odeio de chorar de ódio. Quando você chora de ódio, é porque já esgotou todo o repertório de sentimentos ruins e reações pra esses sentimentos. Porque chorar não é pra isso. Mas eu choro de ódio. Muito. Porque você me lembra daquilo que eu não consigo ser. Não porque eu tenha inveja do que você tem. Eu não queria ter nada disso. Eu só não queria que ninguém mais tivesse. Eu não queria que você existisse. Só isso. Você deve estar feliz e contente na sua vidinha, e eu aqui me dedicando a gastar meu tempo te odiando. E nem é culpa sua. E eu nem te conheço. Mas eu te odeio mesmo assim. Te odeio pelo ódio que você dá de mim.

09 outubro, 2010

Onde vende esse remédio que faz a gente parar de inventar pessoas e guardá-las dentro, só pelo prazer de ter um choque de realidade?
Não, não era como eu pensei. Mas eu sempre soube que não. Então porque essa mente criativa insiste em ver fantasmas do que eu queria que fosse?
É possível a necessidade de um psiquiatra, pois é quase esquizofrênico. Saber que algo não existe. E saber mesmo, por fatos e dados, como diriam lá na metanóia. E mesmo assim ter em mente algo que eu criei só pra mim e não é de carne e osso. E aí dá raiva disso não existir e eu ju-rar que existe. E tristeza. Por que é triste essa vontade de vomitar o nada de tanta raiva de mim. Essa coisa de querer sair pra rua e de querer ficar escondida debaixo da cama, tudo ao mesmo tempo, porque o mundo não acontece como eu quero. E de me culpar por toda ação e achar que é tudo culpa minha. Das coisas serem assim não é, pois as coisas são assim. Mas de eu inventar tudo, é. Que ódio.

29 setembro, 2010

Artista do meio-termo

Recebo elogios pois sou criativa. Mas nem tanto assim pra trabalhar com criação. Recebo elogios pois escrevo bem. Mas escrevo só quando o "caboclo" escritor desce em mim, e isso acontece vez ou outra, com maior frequência em noites de insônia. Nem me peça para escrever ao meio-dia, sairão meia dúzia de linhas de imbecilidade. A não ser que essa seja a hora que eu "incorpore" o encosto... Eu costuro bem, mas faço gambiarras. Customizo roupas e elas ficam legais, mas não a ponto de poder levar isso a sério. Eu desenho e pinto bem, mas só quando é brincadeirinha. E também não sei recortar com precisão. Faço unhas como ninguém, mas tenho a mania nervosa de arrancar o esmalte da unha. Dou aulas razoáveis e adoro atividade física, mas não tenho a capacidade de dar uma estrela, possuo um repertório motor patético e mal consigo lançar uma bola em linha reta. Sou gente boa pra caramba, mas quase não falo, pois sou tímida. Tenho um baita humor, que quase ninguém sabe porque todo mundo acha que eu sou fechada. E todo o romance bobinho do mundo, atrás dessa carcaça pseudo-moderna.
Eu sei que não dá pra ter tudo na vida, mas é meio demais que a única coisa que consiga ser inteira, seja ser assim toda pela metade.

28 setembro, 2010

I got it!

Acho que comecei a aprender a brincar! Sei lá se será com o mesmo brinquedinho sempre, mas o importante é que entendi o psiché. Isso aí de modernidade, desapego e a porra toda. Eu fingi a vida toda que achava tudo muito normal e nunca achei. Sou uma máquina de pensar nas impressões, no dia seguinte, nas mensagens subliminares, nos "E se..." da vida. Mas agora eu entendi. Ou melhor, comecei. O caminho eu sei que é longo e cheio de recaídas. Mas dei passos fundamentais nas últimas semanas na minha saga pelo desapego de quando se tem vinte e poucos anos. E que muitos ao meu redor ainda carregam aos trinta, posso dizer com propriedade nesse caso.
Entendi como é querer alguma coisa, só porque se está com vontade. Sem nenhum outro motivo relevante, e sem nenhuma outra expectativa. Ok, talvez um motivinho paralelo, de se sentir 'prioridade', no caso que estou lembrando específicamente. Uma coisa meio "Hoje isso é meu, muito meu. Nem vem...". Mas é SÓ hoje. Amanhã não precisa. E no amanhã tudo é normal, sem encanar naquela frasezinha solta as 2h da madrugada que pareceu querer dizer outra coisa. Cara, isso é muito bom! Desapego! Exercitar o desapego. Fazer só porque se está com vontade. Ir embora só porque a vontade acabou. E ok! E fazer piada disso. E escrever um texto disso, sem achar estranho ou sem achar alguma coisa, alguma "consequência". Não, eu não serei assim pra sempre, porque eu não sou assim, substancialmente. Mas olha... tô pra ver algo mais libertador, do que entender o espírito da coisa...

16 setembro, 2010

Truqueiragem

Você jura que me dá o truque quantas vezes for, mas mal imaginava que eu também sou truqueira e sei fazer igual. Não fiz? E você percebeu, claro, e não teve muito como dar outro truque pra sair, pois eu claramente ia perceber. Já estamos nos acostumando com nossos truques, e não temos coragem de dar o truque neles. Ficamos sem graça com nós mesmos. Acho até que é uma questão de etiqueta... ou de estratégia.
Aí eu resolvo que vou fazer "a truqueira" mais uma vez e atrapalhar seus planinhos de carne nova para dar truque por aí. Vou, faço, consigo e resolvo. Voltei a ser a number one. Ao menos por hoje. Ponto para as meninas!
E nem eu mesma acredito como pude. Eu? Logo eu? Eu não era assim! Mas eu não poderia tolerar não ser a truqueira-mór da minha listinha imaginária. Isso seria pior que qualquer atitude que eu tomasse possuída pelo "caboclo da modernidade".
E dá tudo certo. Nos conformes. Perfeito. Naquele momento, você cai como um patinho. E eu venço. Mas eu esqueci que depois disso vem o truque que você dá em mim e eu caio toda santa vez. Aqueeele, o truque de ser algo que não existe em lugar algum, só na minha mente. E eu sou obrigada a levantar, pegar minha bolsa e ir embora o quanto antes, dando o truque em mim mesma de que isso era realmente o que eu queria fazer. Era, não era?

14 setembro, 2010

Inferno - By Tati Bernardi

Passo o dia com posts em potencial na minha mente. Só hoje, pensei em escrever sobre esse mundo moderno e prático, sobre a hipocrisia, ou sobre como eu não sei lidar com o mundo moderno nem com a hipocrisia no dia seguinte... Mas aí o cansaço é grande, o cérebro pifa e a inspiração pra escrever direito evapora com o passar das horas...
Aí me dá vontade de entrar no site da Tati Bernardi, em busca de um texto de alguém tão "mulherzinha" quanto eu, com todas as crises e frescura, e aí ela escreveu o "meu" post. Esse trecho aí se eu tivesse como naquele momento, poderia ter escrito quase igualzinho dias atrás... A diferença é que era sem a camiseta cheirosa...

" (...)
E nada adiantou, nada, porque desejo se forma em um lugar que é de onde somos também. Então eu teria que me deletar. E não adiantaria de agora, tipo: “não existo! Valendo!”. Teria que ser de antes. Mas complicou demais. E é por isso que escrevo isso da sua sala iluminada pelo sol mais feliz de todos que é o sol do dia seguinte quando ainda estamos no dia anterior. A vida que ultrapassa a gente só porque esses pequenos momentos de amor nos congelam dando uma falsa sensação de que pode ser bom pra sempre. Enquanto você dorme com uma camiseta cheirosa e é, posso dizer com certeza, a pessoa mais bonita que eu já vi numa cama desarrumada. Poucas coisas são tão claras como isso que percebo agora: você é tão bonito que eu tenho esse riso congelado mesmo quando está insuportável fazer xixi baixinho porque a droga do seu banheiro é colado com a cama sem ter uma mísera parede. Odeio as casas modernas e os casais modernos e o sexo moderno e ser moderna. Eu quero parar com essa vidinha e ter um amor pra vida. Mas e mas e mas e mas. Você é tão bonito que renova a mesmice do cinismo amoroso. Por você vale qualquer sombra na alma.



E é isso. Agora é suspirar feito besta, meus celulares e e-mails e o ar voltam a ser objetos de tortura, sempre a espera da próxima vez que você vai me pedir que morda o violão pra escutar a música dentro do cérebro. E você desafinando e meu cérebro consertando tudo dentro da minha imaginação. Não é amor porque amor é mais do que essa escravidão estética. Não é paixão porque eu só me apaixono por quem eu quero destruir e eu só quero limpar com uma palhinha de ouro seu corpo num pedestal. Não é só tesão, porque eu passaria o resto da minha existência fazendo carinho nos cachos do seu cabelo e você com 18 metros de altura parecendo um menino. Não é nada dessas coisas todas que a gente separa numa caixinha da mente pra continuar arrumando o resto das gavetas da vida. Então o quê? É isso, o xixi baixinho olhando a pessoa mais bonita que já vi numa cama desarrumada. É encantamento puro com um pouco de dor porque até a falta de dor tem muito de dor. E mais o sol e mais as formigas e mais a camiseta cheirosa e o xixi baixinho. É só o inferno"
 

31 agosto, 2010

Doutor, eu não me engano

Eu sempre achei meio bichisse esse negócio de psicólogo, terapia.
Análise é coisa pra gente louca ou desocupada. Coisa de gente que devia ir lavar um tanque de roupa ou encher uma laje pra ver se o tempo passa. Digamos que depois que eu virei "gente", bati asas e voei - mesmo que ainda baixinho - eu nunca mais me dei ao luxo de ser digna de um "Vai arrumar o que fazer". Coisa pra fazer não falta. Ou seja, minha cabeça jamais seria a tal da "oficina do diabo", como dizem. Eu sempre teria o que fazer, e nunca pararia pra ter crise e pensar merda. É, sim, futuro do pretérito. Condicional.
Eu tenho muito o que fazer. Eu desse muito, é tudo aquilo que eu disse que queria um dia. E mesmo assim, tenho tido muito tempo ao mesmo tempo para ter crise e pensar merda. E achar que eu conquistei "tudo" (tudo entre aspas, pois claro que não é tudo, mas é bastante coisa) que eu queria aos 20 e poucos anos e aí nada disso tinha a graça que eu esperava. Peraí, essa não é aquela crise que a gente tem aos 30 e muitos ou 40? Aquela de "consegui tudo que eu queria e agora não sei o que fazer"?! Porra, então são duas crises. A crise de ter conseguido, e a crise de ter crise por ter conseguido, assim tão antes da hora combinada!!! E a crise de nada ser como deveria, a crise da vida ser cruel e um querer sempre "comer" o outro. E dessa vez não é no sentido que eu gostaria. Isso aí de ser uma capricorniana com ascendente em cancer e ter dupla personalidade... não, isso não estava nos meus planos. Mas eu tenho tanta coisa pra fazer que também não acho certo arrumar tempo pra ter crise. Eu não esperava que o mundo fosse colorido, mas eu pretendia pelo menos saber o que fazer com ele.
Ontem, num momento insone, me passou pela cabeça fazer terapia, pela primeira vez na vida. Talvez você, humilde blog, não seja mais suficiente pros meus devaneios. Talvez eu esteja "enviadando". Ou talvez me falte um tanque de roupa pra lavar.

20 agosto, 2010

O que não é meu também me pertence!

Eu bato o olho na lista e vejo "Fulano + Namorada". E logo penso "OI?"! Namorada? Como assim namorada?
Não, não sou eu. Aliás, nunca seria. Pelo menos eu acho. Mas era isso, a gente tinha "nada" e isso sempre foi muito divertido. Já tem um tempão esse nada aí. Desde a época que eu achava que era nada mesmo, e já era alguma coisa... Enfim, puta negócio saudável, bem resolvido, sabe?! Diversãozinha bacana. E foi mesmo. Boas lembranças, tudo muito bom e bem feito. A gente nunca namoraria. Não faz parte do combinado. E nem passou pelas nossas cabeças. Cada um por si. Cuidando da sua vida. E se divertindo junto. Esse é o acordo. E tá ótimo. Mas... Namorada? Quem é essa? De onde surgiu? Quando? Por quê? E eu não sabia? Quem deixou? Pera lá!!!!!! Não é porque você não é meu que você pode ser de outra pessoa!

13 agosto, 2010

Encaipirando

Depois que você passa a trabalhar perto de casa, as chances de se tornar uma caipira de marca maior são muito, mas muuuuito grandes.
Vivo e trabalho praticamente no mesmo lugar e apesar de amar minha terra querida, cada ida pra São Paulo tem me dado mais preguiça.
Pensei que nunca fosse dizer isso, afinal eu gosto do fervo, do babado e da confusão. Nada me faz mais feliz e viva que uma voltinha ali na poluição da Paulista. De tempos em tempos eu preciso disso.
Mas descobri que estou desaprendendo a pegar trânsito. Já me diverti bem mais. Sempre usei os congestionamentos pra treinar minha habilidades artísticas cantando alto e interpretando. Daquelas performances de fazer os carros ao meu redor estranharem ou rirem.
A idade vai chegando, a gente vira workaholic, passa a ter mais pressa e menos tolerância. Juro que tentei me divertir cantar e dançar hoje, em plena Rebouças durante 1h pra andar uns 5km. Não rolou. A claustrofobia e uma certa afeição aos meus instintos mais primitivos (já dizia Roberto Jeferson) - como bater ou matar algum motorista fominha ou um motoqueiro com sua buzina e sua folga irritantes - foram tomando conta de mim. Meio síndrome do pânico express. Uma vontade de surtar, puxar o freio de mão e sair correndo pedindo por socorro.
Fiquei olhando ao redor, aquelas motos todas, a caminhãozada soltando fumaça, os engravatados nos jipões querendo passar por cima do meu humilde Palio, pensando quantas histórias estão ali, com a mesma vontade de sair correndo que eu. O quanto de coisa acontece. Flertei com um moço em um A3, ali na esquina da Pamplona (sim, nessa altura eu já havia chegado e dado mil voltas ali pela Paulista caçando um endereço), o perdi pelos semáforos e pouco depois do Masp seu A3 estava parado com dois policiais junto e o moço mexendo no carro. Quebrou? Blitz? Droga? Foi roubado? Vai ser preso? Me deu um desespero, pois eu nunca saberei. O farol abriu e eu fui, com aquelas motos e carros e pessoas e tudo. Fomos. E nunca mais voltaremos.
Voltei pra casa "correndo" (é só força de expressão, demorou horas), quando caí na Castello respirei aliviada, pensando que horror que deve ser encarar isso tudo, todo dia. E agradecendo pelo meu trabalho e quase tudo meu ficar a 5, 10 minutos de mim. Mesmo que seja "só isso" todo dia.
Eu... logo eu?! Tô encaipirando mesmo.

24 julho, 2010

Incoerências

Não, não é culpa sua. Embora eu esteja aqui nervosa, roendo unhas e dizendo que você é babaca. Sim, você é babaca, mas isso não te faz culpado. Somente babaca. Uma delícia de babaca, inclusive. Ou talvez alguém tão incoerente quanto eu. Eu, como representante mór dos incoerentes, acho que é esse o diagnóstico. E não posso nem te culpar, pois eu sou pior. Só eu mesma sei como é me aguentar, afff. Um incoerente. Afinal se você seguisse uma linha de raciocínio com o mínimo de lógica, seria ou só uma delícia, ou só um babaca. E se fosse só babaca meu mundo seria perfeito. Porque aí era só aproveitar os benefícios. Mas uma incoerente cheia de mulherzices como eu nunca sabe fazer só isso. Do alto da minha incoerência eu penso "É tudo 'bussiness'!", e tudo bem. Mas aí de repente eu já estou analisando suas fofices, pois você como bom incoerente também alterna filhadaputices e fofices, e olha... com uma maestria impressionante! Tô pra ver alguém fazer igual.
E aí eu sinto pavor de mim mesma. Por que o que eu sentiria por alguém que acha legal e se odeia ao mesmo tempo, na mesma proporção, por tomar alguma atitude? Sim, eu queria fazer isso, sabendo que ia dar merda. Logo eu, sempre tão cheia de prevenções, fazendo merda premeditada. E achando legal. E morrendo de raiva de mim. E de você. Mesmo sendo só culpa minha essa coisa de enxergar os seus dois lados que nem existem. Tá esquece. Pra que gastar tanta energia com isso? Não era só uma brincadeira. É, ainda é. Mas embora eu esteja louca de vontade, não quero brincar mais assim. Por que eu adoro ter raivinha de você, mas detesto essa raiva de mim que está dando. Por ter as coisas fugindo do meu controle. Mesmo controlando tudo. Eu não faço o menor sentido.

20 julho, 2010

A foto

Eu só queria agora, conseguir encarar essa foto aparecendo no monitor. Mas tenho vergonha dela. A foto parece me olhar dizendo "eu seeeeei". E eu abaixo os olhos. Clico no link e ela abre grandona. Preenche toda a tela. Eu não consigo olhar de frente. Viro o rosto e olho de cantinho de olho, envergonhada. Constrangida. Quase me escondendo. E é uma foto tão besta. Eu nem gosto. Tinham outras muito melhores. Mas essa sua foto olha pra mim como quem sabe tudo sobre mim. E embora você não saiba quase nada, ela sabe de tudo mesmo. Sabe de todo o vazio que ela representa. E ao mesmo tempo todo o "tudo". Todas as fichas apostadas. Toda aquela ilusão que uma foto me tirasse disso tudo e me levasse pro paraíso. A foto até poderia me levar, se eu não tivesse tanta vergonha de todas as verdades que ela diz pra mim...

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18 julho, 2010

That's what I'm talking about

Eu acho que tô numa encrenca dessas. Ou não.

http://www.tatibernardi.com.br/textos.php?id=394&y=2010&tit=Encrenca