16 setembro, 2010

Truqueiragem

Você jura que me dá o truque quantas vezes for, mas mal imaginava que eu também sou truqueira e sei fazer igual. Não fiz? E você percebeu, claro, e não teve muito como dar outro truque pra sair, pois eu claramente ia perceber. Já estamos nos acostumando com nossos truques, e não temos coragem de dar o truque neles. Ficamos sem graça com nós mesmos. Acho até que é uma questão de etiqueta... ou de estratégia.
Aí eu resolvo que vou fazer "a truqueira" mais uma vez e atrapalhar seus planinhos de carne nova para dar truque por aí. Vou, faço, consigo e resolvo. Voltei a ser a number one. Ao menos por hoje. Ponto para as meninas!
E nem eu mesma acredito como pude. Eu? Logo eu? Eu não era assim! Mas eu não poderia tolerar não ser a truqueira-mór da minha listinha imaginária. Isso seria pior que qualquer atitude que eu tomasse possuída pelo "caboclo da modernidade".
E dá tudo certo. Nos conformes. Perfeito. Naquele momento, você cai como um patinho. E eu venço. Mas eu esqueci que depois disso vem o truque que você dá em mim e eu caio toda santa vez. Aqueeele, o truque de ser algo que não existe em lugar algum, só na minha mente. E eu sou obrigada a levantar, pegar minha bolsa e ir embora o quanto antes, dando o truque em mim mesma de que isso era realmente o que eu queria fazer. Era, não era?

14 setembro, 2010

Inferno - By Tati Bernardi

Passo o dia com posts em potencial na minha mente. Só hoje, pensei em escrever sobre esse mundo moderno e prático, sobre a hipocrisia, ou sobre como eu não sei lidar com o mundo moderno nem com a hipocrisia no dia seguinte... Mas aí o cansaço é grande, o cérebro pifa e a inspiração pra escrever direito evapora com o passar das horas...
Aí me dá vontade de entrar no site da Tati Bernardi, em busca de um texto de alguém tão "mulherzinha" quanto eu, com todas as crises e frescura, e aí ela escreveu o "meu" post. Esse trecho aí se eu tivesse como naquele momento, poderia ter escrito quase igualzinho dias atrás... A diferença é que era sem a camiseta cheirosa...

" (...)
E nada adiantou, nada, porque desejo se forma em um lugar que é de onde somos também. Então eu teria que me deletar. E não adiantaria de agora, tipo: “não existo! Valendo!”. Teria que ser de antes. Mas complicou demais. E é por isso que escrevo isso da sua sala iluminada pelo sol mais feliz de todos que é o sol do dia seguinte quando ainda estamos no dia anterior. A vida que ultrapassa a gente só porque esses pequenos momentos de amor nos congelam dando uma falsa sensação de que pode ser bom pra sempre. Enquanto você dorme com uma camiseta cheirosa e é, posso dizer com certeza, a pessoa mais bonita que eu já vi numa cama desarrumada. Poucas coisas são tão claras como isso que percebo agora: você é tão bonito que eu tenho esse riso congelado mesmo quando está insuportável fazer xixi baixinho porque a droga do seu banheiro é colado com a cama sem ter uma mísera parede. Odeio as casas modernas e os casais modernos e o sexo moderno e ser moderna. Eu quero parar com essa vidinha e ter um amor pra vida. Mas e mas e mas e mas. Você é tão bonito que renova a mesmice do cinismo amoroso. Por você vale qualquer sombra na alma.



E é isso. Agora é suspirar feito besta, meus celulares e e-mails e o ar voltam a ser objetos de tortura, sempre a espera da próxima vez que você vai me pedir que morda o violão pra escutar a música dentro do cérebro. E você desafinando e meu cérebro consertando tudo dentro da minha imaginação. Não é amor porque amor é mais do que essa escravidão estética. Não é paixão porque eu só me apaixono por quem eu quero destruir e eu só quero limpar com uma palhinha de ouro seu corpo num pedestal. Não é só tesão, porque eu passaria o resto da minha existência fazendo carinho nos cachos do seu cabelo e você com 18 metros de altura parecendo um menino. Não é nada dessas coisas todas que a gente separa numa caixinha da mente pra continuar arrumando o resto das gavetas da vida. Então o quê? É isso, o xixi baixinho olhando a pessoa mais bonita que já vi numa cama desarrumada. É encantamento puro com um pouco de dor porque até a falta de dor tem muito de dor. E mais o sol e mais as formigas e mais a camiseta cheirosa e o xixi baixinho. É só o inferno"
 

31 agosto, 2010

Doutor, eu não me engano

Eu sempre achei meio bichisse esse negócio de psicólogo, terapia.
Análise é coisa pra gente louca ou desocupada. Coisa de gente que devia ir lavar um tanque de roupa ou encher uma laje pra ver se o tempo passa. Digamos que depois que eu virei "gente", bati asas e voei - mesmo que ainda baixinho - eu nunca mais me dei ao luxo de ser digna de um "Vai arrumar o que fazer". Coisa pra fazer não falta. Ou seja, minha cabeça jamais seria a tal da "oficina do diabo", como dizem. Eu sempre teria o que fazer, e nunca pararia pra ter crise e pensar merda. É, sim, futuro do pretérito. Condicional.
Eu tenho muito o que fazer. Eu desse muito, é tudo aquilo que eu disse que queria um dia. E mesmo assim, tenho tido muito tempo ao mesmo tempo para ter crise e pensar merda. E achar que eu conquistei "tudo" (tudo entre aspas, pois claro que não é tudo, mas é bastante coisa) que eu queria aos 20 e poucos anos e aí nada disso tinha a graça que eu esperava. Peraí, essa não é aquela crise que a gente tem aos 30 e muitos ou 40? Aquela de "consegui tudo que eu queria e agora não sei o que fazer"?! Porra, então são duas crises. A crise de ter conseguido, e a crise de ter crise por ter conseguido, assim tão antes da hora combinada!!! E a crise de nada ser como deveria, a crise da vida ser cruel e um querer sempre "comer" o outro. E dessa vez não é no sentido que eu gostaria. Isso aí de ser uma capricorniana com ascendente em cancer e ter dupla personalidade... não, isso não estava nos meus planos. Mas eu tenho tanta coisa pra fazer que também não acho certo arrumar tempo pra ter crise. Eu não esperava que o mundo fosse colorido, mas eu pretendia pelo menos saber o que fazer com ele.
Ontem, num momento insone, me passou pela cabeça fazer terapia, pela primeira vez na vida. Talvez você, humilde blog, não seja mais suficiente pros meus devaneios. Talvez eu esteja "enviadando". Ou talvez me falte um tanque de roupa pra lavar.

20 agosto, 2010

O que não é meu também me pertence!

Eu bato o olho na lista e vejo "Fulano + Namorada". E logo penso "OI?"! Namorada? Como assim namorada?
Não, não sou eu. Aliás, nunca seria. Pelo menos eu acho. Mas era isso, a gente tinha "nada" e isso sempre foi muito divertido. Já tem um tempão esse nada aí. Desde a época que eu achava que era nada mesmo, e já era alguma coisa... Enfim, puta negócio saudável, bem resolvido, sabe?! Diversãozinha bacana. E foi mesmo. Boas lembranças, tudo muito bom e bem feito. A gente nunca namoraria. Não faz parte do combinado. E nem passou pelas nossas cabeças. Cada um por si. Cuidando da sua vida. E se divertindo junto. Esse é o acordo. E tá ótimo. Mas... Namorada? Quem é essa? De onde surgiu? Quando? Por quê? E eu não sabia? Quem deixou? Pera lá!!!!!! Não é porque você não é meu que você pode ser de outra pessoa!

13 agosto, 2010

Encaipirando

Depois que você passa a trabalhar perto de casa, as chances de se tornar uma caipira de marca maior são muito, mas muuuuito grandes.
Vivo e trabalho praticamente no mesmo lugar e apesar de amar minha terra querida, cada ida pra São Paulo tem me dado mais preguiça.
Pensei que nunca fosse dizer isso, afinal eu gosto do fervo, do babado e da confusão. Nada me faz mais feliz e viva que uma voltinha ali na poluição da Paulista. De tempos em tempos eu preciso disso.
Mas descobri que estou desaprendendo a pegar trânsito. Já me diverti bem mais. Sempre usei os congestionamentos pra treinar minha habilidades artísticas cantando alto e interpretando. Daquelas performances de fazer os carros ao meu redor estranharem ou rirem.
A idade vai chegando, a gente vira workaholic, passa a ter mais pressa e menos tolerância. Juro que tentei me divertir cantar e dançar hoje, em plena Rebouças durante 1h pra andar uns 5km. Não rolou. A claustrofobia e uma certa afeição aos meus instintos mais primitivos (já dizia Roberto Jeferson) - como bater ou matar algum motorista fominha ou um motoqueiro com sua buzina e sua folga irritantes - foram tomando conta de mim. Meio síndrome do pânico express. Uma vontade de surtar, puxar o freio de mão e sair correndo pedindo por socorro.
Fiquei olhando ao redor, aquelas motos todas, a caminhãozada soltando fumaça, os engravatados nos jipões querendo passar por cima do meu humilde Palio, pensando quantas histórias estão ali, com a mesma vontade de sair correndo que eu. O quanto de coisa acontece. Flertei com um moço em um A3, ali na esquina da Pamplona (sim, nessa altura eu já havia chegado e dado mil voltas ali pela Paulista caçando um endereço), o perdi pelos semáforos e pouco depois do Masp seu A3 estava parado com dois policiais junto e o moço mexendo no carro. Quebrou? Blitz? Droga? Foi roubado? Vai ser preso? Me deu um desespero, pois eu nunca saberei. O farol abriu e eu fui, com aquelas motos e carros e pessoas e tudo. Fomos. E nunca mais voltaremos.
Voltei pra casa "correndo" (é só força de expressão, demorou horas), quando caí na Castello respirei aliviada, pensando que horror que deve ser encarar isso tudo, todo dia. E agradecendo pelo meu trabalho e quase tudo meu ficar a 5, 10 minutos de mim. Mesmo que seja "só isso" todo dia.
Eu... logo eu?! Tô encaipirando mesmo.

24 julho, 2010

Incoerências

Não, não é culpa sua. Embora eu esteja aqui nervosa, roendo unhas e dizendo que você é babaca. Sim, você é babaca, mas isso não te faz culpado. Somente babaca. Uma delícia de babaca, inclusive. Ou talvez alguém tão incoerente quanto eu. Eu, como representante mór dos incoerentes, acho que é esse o diagnóstico. E não posso nem te culpar, pois eu sou pior. Só eu mesma sei como é me aguentar, afff. Um incoerente. Afinal se você seguisse uma linha de raciocínio com o mínimo de lógica, seria ou só uma delícia, ou só um babaca. E se fosse só babaca meu mundo seria perfeito. Porque aí era só aproveitar os benefícios. Mas uma incoerente cheia de mulherzices como eu nunca sabe fazer só isso. Do alto da minha incoerência eu penso "É tudo 'bussiness'!", e tudo bem. Mas aí de repente eu já estou analisando suas fofices, pois você como bom incoerente também alterna filhadaputices e fofices, e olha... com uma maestria impressionante! Tô pra ver alguém fazer igual.
E aí eu sinto pavor de mim mesma. Por que o que eu sentiria por alguém que acha legal e se odeia ao mesmo tempo, na mesma proporção, por tomar alguma atitude? Sim, eu queria fazer isso, sabendo que ia dar merda. Logo eu, sempre tão cheia de prevenções, fazendo merda premeditada. E achando legal. E morrendo de raiva de mim. E de você. Mesmo sendo só culpa minha essa coisa de enxergar os seus dois lados que nem existem. Tá esquece. Pra que gastar tanta energia com isso? Não era só uma brincadeira. É, ainda é. Mas embora eu esteja louca de vontade, não quero brincar mais assim. Por que eu adoro ter raivinha de você, mas detesto essa raiva de mim que está dando. Por ter as coisas fugindo do meu controle. Mesmo controlando tudo. Eu não faço o menor sentido.

20 julho, 2010

A foto

Eu só queria agora, conseguir encarar essa foto aparecendo no monitor. Mas tenho vergonha dela. A foto parece me olhar dizendo "eu seeeeei". E eu abaixo os olhos. Clico no link e ela abre grandona. Preenche toda a tela. Eu não consigo olhar de frente. Viro o rosto e olho de cantinho de olho, envergonhada. Constrangida. Quase me escondendo. E é uma foto tão besta. Eu nem gosto. Tinham outras muito melhores. Mas essa sua foto olha pra mim como quem sabe tudo sobre mim. E embora você não saiba quase nada, ela sabe de tudo mesmo. Sabe de todo o vazio que ela representa. E ao mesmo tempo todo o "tudo". Todas as fichas apostadas. Toda aquela ilusão que uma foto me tirasse disso tudo e me levasse pro paraíso. A foto até poderia me levar, se eu não tivesse tanta vergonha de todas as verdades que ela diz pra mim...

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18 julho, 2010

That's what I'm talking about

Eu acho que tô numa encrenca dessas. Ou não.

http://www.tatibernardi.com.br/textos.php?id=394&y=2010&tit=Encrenca

11 julho, 2010

Toy Story 3

O Buzz Lightyear e o Woody me fizeram chorar hoje.
E pensar o que será que minhas Barbies devem pensar de mim?! Ali no armário, meio descabeladas, mas ainda Barbies! Eu sinto falta delas, de comprar roupas e brincar de casinha. Eu sinto falta do Ken. Os Kens de hoje em dia te confundem, ou a Barbie aqui se confunde porque quer. E sabe disso.
Será que as Barbies do armário tem algum conselho pra me dar?

25 junho, 2010

Doença

Das minhas neuroses, a que mais me maltrata é essa. Minha pseudo-hipocondria misturada com meu pânico de doença.
Neurose facilmente explicada por qualquer pessoa que nem tenha diploma de psicanalista... Pai e mãe fumantes e problemáticos, aneurismas, colostomias, derrames e exames médicos fizeram parte da minha infância. Mas tudo bem, eu sobrevivi, aprendi, cresci. Meu pai morreu sabendo o que fazia e minha mãe está aqui meio firme e muito forte, porque, literalmente: Deus é Pai! E eu, cada vez que trago um cigarrinho por deslize (uma ou duas vezes por ano, se bobear) passo a semana seguinte me chicoteando de culpa.
Mas isso ficou. Um medo, um pavor de ficar doente, de estar doente, de parecer doente, de ter uma doença que demore a se manifestar, de ter um diagnóstico desconhecido, de pegar um virus, de tomar friagem no peito, de ficar de cama, de exame, de internação, de médico, de hospital, de qualquer coisa. É PÂNICO!
Aí pra mim, cada coceirinha vira uma alergia descontrolada, uma torção é quase uma fratura exposta, uma dor é sinal de infarto, qualquer íngua é uma infecção sem fim, ou quem sabe um câncer, uma manchinha já é vitiligo e um espirro é pneumonia na certa!
E o Dr. Google?! Esse especialista em generalidades é meu parceiro. Afinal quem acha que eu iria manifestar um sintoma e guardar pra mim somente? Eu rapidamente compartilho com o Dr, e já fico PhD nos sintomas, na causa e já praticamente inicio o tratamento! Ou melhor, eu já mando encomendar meu caixão e escrevo o testamento. E sofro, de medo, de pavor que o Dr Google realmente esteja certo, pois os diagnósticos dele são sempre os mais trágicos possíveis. Associado a minha paranóia?! Pronto! Eu espirrei e já já podem marcar meu velório! Cer-te-za!
Na verdade eu preciso mesmo de um tratamento. Mental.

23 junho, 2010

Edição

Parece uma novela. Não, não. Um filme. Um documentário, daqueles bem cheios de cortes e que se você perder uma piscada de olho, já perde o fio da meada. Se é que tem algum
Corta pra neurose! Pra ela pensando na moral e nos bons costumes e que é assim que a vida tem que ser. Corta pro trabalho! Corta e fica um tempão. No trabalho tem cena de tudo, de amor, de ódio, de tensão, de tristeza e arrependimento. Corta pro romance! Pro amor, pro homem da vida. Mas homem da vida é sempre cena rápida. Opa, pro trabalho de novo! Pro nervoso, seguido de alegria, seguido de raiva de novo, seguido de reconhecimento. E uma reclamação de salário. E umas dívidas. Corta pra consciência! Pro "o que eu tô fazendo?". Pro "era isso?". Corta pra recordação! Sim, era isso. Agora que ficou diferente... Corta pra diversão! Cerveja! Corta pra saudade! Corta pra modernidade! Cadê aquela neurose? Sumiu! O negócio é ser moderna! Corta pras cenas picantes! Corta pro dia seguinte! Ih, acabou o filme. É fita, rebobina!

06 junho, 2010

Tati Bernardi deve ser sincronizada com a minha rotina

Adoro Tati Bernardi (http://www.tatibernardi.com.br/), não é de hoje, são milhões de coisas que já li, são milhões de textos que eu já reproduzi aqui (com créditos, sempre!)... o que me assusta é o quanto as coisas que acontecem batem com os posts dos textos no site, mesmo que as vezes só eu veja a semelhança, rs!
Mas esse último, tem menos de 24h de "sincronia com a realidade", então me assustou mesmo...

O garoto

Você já foi ele. Eu penso. Com 22 anos e depois outras vezes também, um pouco mais velha que isso. Eu enlouquecia meu namorado, sumia, não atendia o celular, atrasava, vivia confusa se queria ele ou o ex ou o próximo. Eu gostava dele, eu queria dormir de conchinha e planejar coisinhas, mas algo me chamava pra ir conferir a noite e a tarde e a manhã e a casa dos amigos e as viagens e uma loucura. Uma vontade que, pra falar a verdade, não sinto muita falta. Porque era uma vontade meio sofrida (eu de fato sofria!). E quando ele se enchia, eu chorava: “mas eu tô sofrendo, você não vê? Eu não sei onde quero trabalhar, eu não sei onde quero morar...e a minha mãe, e o mundo e mil coisas”. E ainda colocava a culpa nele: “e eu só tô assim confusa porque você, aquele dia, lembra? Fez aquilo comigo!”. E ele, sei lá porque, acabava me deixando dormir na casa dele, e me abraçava bem forte a noite. E assim eu seguia, no fundo, sabendo o quanto eu era maquiavélica.

E agora esse garoto faz exatamente isso comigo. O que eu fazia com meus namorados quando eu tinha 22 anos. E então o quê? Não sei, não sei. Eu só queria abraçar ele bem forte a noite. E deixar ele seguir sabendo, no fundo, o quanto é maquiavélico.

Garotos bobos espertos são uma gracinha.

14 maio, 2010

14

Eu tenho essa mania chata, de criar significado pra tudo. E de querer escrever posts pra tudo. Deve ser muito neurônio, muita sinapse aí eu fico criando, criando, criando. E o corpo não dá conta de transformar tudo em realidade.
O fato é, eu tenho certeza que tem alguma ligação eu amar tanto gente nascida no dia 14. Do primeiro semestre do ano. De março e abril. Sim! Eu tenho certeza que tem algum significado! Assim como eu ter melhores amigas aquarianas e muitos problemas, mas ao mesmo tempo muita afinidade com homens aquarianos e piscianos. Tudo significa algo, nem que eu mesma tenha criado isso.
Mas fora o 14 de janeiro que esta magnífica e modesta criatura que vos escreve nasceu, e ela se ama pra caralho apesar de ter muita vontade de fugir de si mesma boa parte das horas. Fora isso, devo agradecer pelos 14 de marços e 14 de maios do mundo, que brindam mais outonos de gente tão especial.
Nos marços estão o Fabio, aquele das aulas da Cia Brasil, aquele que me divertia só de ficar assistindo aulas de hidro e natação (que saudade de ter tempo pra "perder" assim), que me trancava no carro pra ter DR com a namorada, que me fez achar do caralho dar aula, que mesmo sem saber me enfiou na Ed. Física, que arrasou no último WS SP e me fez ter certeza que ele "não me enganou", que hoje em dia pode lembrar tudo isso comigo quando vem tomar cerveja nos meus aniversários ou me dá aulas "como nos velhos tempos" na Bio toda terça e quinta.
E o Olavo... que eu nem sei o que é, de tanta coisa que é. Só de pensar em continuar esse texto eu já tenho vontade de chorar. Se o Fabio me fez valer escolher a Ed. Física, o Olavo fez valer cada dia e cada centavo gasto em 4 anos de Mackenzie. E faz valer cada minuto junto e faz valer qualquer vontade de ser como ele. Ultrapassou todos os limites de professor, de mestre, de orientador, de exemplo, de pai, de inspiração. É isso, o Olavo pra mim é alguém que ultrapassou os meus limites de gostar e de respeitar alguém assim tão "de graça". Porque sim, ele nunca fez nada para ser tão especial, muito pelo contrário. Mas ele simplesmente É.

Já nos maios, e visto que escrevo isso as 0h40 de um 14 de maio, podemos chamar também de "hoje"... Ticiana, Tici, Atum, Johnny - pra mim o apelido preferido, com história, rs. O que a tecnologia não faz, né?! Eu não faço a menor idéia, como/quando foi nosso primeiro contato. Ela lá, e eu aqui. Talvez eu saiba o porque, e embora esse porque hoje em dia não faça tanto sentido, obrigada viu Dona Body Systems?! Taí uma coisa boa que essa empresa fez/faz por mim: me apresenta meus melhores amigos. E aí a moral da história é: a gente descobriu um monte de coisa igual, e outro monte de diferente. E descobriu que dá pra acompanhar junto mesmo que os caminhos fiquem tão diferentes. E que Fortaleza nem fica tão longe assim quando a gente não quer. E nem Paris, e nem Belém. E nem sei lá onde essa menina vai parar da próxima vez. Tomara que não seja mais na Benedito Calixto.
E o Top, digo... o San, o Sandrinho. Aff, que aperto que dá no coração digitar esse nome! Porque diferente dessa menina bonita e fashion de Fortaleza do parágrafo acima, esse aqui eu ainda não me habituei em conviver virtualmente. O caminho foi inverso, e assim dói mais. Mas eu preciso agradecer a Body Systems de novo e eternamente. E cada dia que ele sentou ali do lado da Paty e do Capi. E cada risada cínica que ele deu sentado ali que me fez rir também. E a carta que ele "respondeu" a minha carta do Big Bang. E o meu aniversário estilo "transparência nível 10", até o dia amanhecer, literalmente. E os buffalos que ele relutou em aparecer, mas acabou ficando um pouquinho. Preciso agradecer ter achado alguém tão "eu", profissional na arte de ser cuzão com si mesmo e um pouquinho com os outros, mas no fundo, um puta tonto rs! Ele foi tão eu, mas tãããão eu, que fez exatamente o que eu disse que era certo fazer, mas nunca tive coragem. Agora ele é como se fosse um "eu" com coragem, sabe?! E assim como o Olavo que nunca fez nada pra ser e "É", ele nunca fez nada pra me matar de orgulho, mas me mata. E de saudades!

Meus piscianos, meus taurinos, meus amigos. Muitos outonos, catorzes, maios, marços...

09 maio, 2010

Bem vinda ao mundo!

É a primeira vez que eu parei. É a primeira vez que eu posso escolher o que fazer assim "do nada". É a primeira vez que ninguém espera mais nada de mim. É a primeira vez que eu não sei o que fazer, de verdade.
Apesar da maravilha de ter uma vida mais "própria", ainda que longe do ideal de "independência". Mas é muito estranho ninguém esperar nada de você. Sempre houve uma expectativa... de tirar uma nota boa, de passar de ano, de não dar vexame, de ser formar, de tirar carta, de arrumar um marido. Sempre teve.
Agora, nada. Agora são as minhas. Quais são elas? Alguém viu minhas expectativas por aí?

Mas aí o que eu faço com esse monte de plano que eu fiz e agora eu já não sei mais se quero colocar em prática? E mais ainda, o que eu faço com esses planos todos que já deram certo, e agora eu não sei se era mesmo pra ter dado? Eu parecia tão firme nos meus propósitos, que eles foram acontecendo um a um, guardadas as devidas proporções. Mas e aí, qual é a graça? Será que foi tudo um baita engano? Ou eu sou mesmo uma pessoa abençoada, que teve a sorte de ter até hoje quase tudo o que quis na vida (até porque, se fosse tudo, ficaria até chato)?

Nestes tempos de crise, relacionamentos patético e hormônios descontrolados (ando meio monotemática em relação aos dois últimos itens citados) eu perdi toda e qualquer certeza que carreguei pelos anos todos. E estou quase enlouquecendo por causa disso! Por isso, peço compreensão com posts chatos, crises de humor, transparência exagerada ou qualquer outra reação desproporcional aos fatos banais da vida!
Mas sei que adquiri uma certeza nova, única: Que aos pouquinhos (afinal, lembrem-se, eu sou capricorniana, pessoa apegaaaaaada) eu vou me dar o direito de mudar de idéia, de não cumprir mais os planos só porque estavam planejados. De parar mais vezes.

26 abril, 2010

Remake

Gosto de reler meus posts. Engraçado como minhas crises e lamentações se repetem, só variando a proporção e o estilo de escrever. Bem possível que não sejam 'as minhas', mas as de todo mundo.
O post abaixo é do fim de 2008, mas eu poderia ter escrito ele ontem, hoje ou mês que vem.

A diferença é que eu tinha uma faculdade pra terminar, um estágio pra cumprir, um salário que não pagava nem minha gasolina da semana, um tcc pra fazer... enfim, todas essas desculpas esfarrapadas que vão fazendo a gente se prender na rotina e nunca arriscar.

Agora, eu tenho uma pós pra terminar, uma carteira assinada, muitos e-mails no Outlook, três quilos a menos, uma vida amorosa com um pouco mais de emoção (o que não significa que esteja 'ok'), o mesmo amor platônico, umas pessoas pra ter como inspiração para "desapegar", uma saudade brutal da vida de faculdade e um pouquinho mais de coragem. Coragem pra pelo menos pensar em correr risco em algum momento da vida.
E isso, pra capricorniana aqui, é um progresso do tamanho do mundo.
Talvez eu tenha agora também, o peso de ser "gente grande", uma dúvida de "o que será que eu queria da vida mesmo?" e um saco bem mais cheio do que naquela época. Mas o desapego, base fundamental pro "surto", é desenvolvido num processo bem, mas bem lento! Quem sabe, né?!



24/11/08
Morna


Ócio, orkut, uma boa vasculhada e assim surge um motivo de terapia...






Talvez seja afobação minha, inveja, dor de cotovelo...


A real é que crescemos, e eu resolvi recordar quem cresceu comigo... E descobri que para a grande maioria, mudanças grandiosas aconteceram.. pro bem e pro mal...


Há os que faliram, os que empreenderam, os que viajaram, os que cairam do cavalo, os que casaram, as que engravidaram, há de tudo...


E eu me enxerguei no meio deles, indo pelo caminho do mais ou menos, do morno. Não sei bem pra onde, mas indo. Talvez indo pra onde me falaram e eu acreditei.


O fato é que, nesses anos todos (que tudo bem, se for pensar são poucos) meio que "nada" aconteceu... Não houve uma grande mudança, uma grande alegria, uma grande decepção, um grande amor, uma grande traição, uma falência (toc, toc, toc), um prêmio da loteria, eu não enriqueci, nem surtei, nem comprei um apartamento, nem fui deserdada, nem fugi, nem me arrependi profundamente, nem tive uma idéia mirabolante, nem quebrei a casa toda, nem, nem, nem...


Simplesmente "não houve".


Não que seja uma reclamação, sabe?! Fiz bons amigos, dei boas risadas, chorei quando foi necessário, conquistei objetivos que jamais pensei que fosse, tomei umas cervejas, beijei umas bocas, escrevi uns posts, fui à Salvador matar saudades, xinguei umas pessoas, trabalhei em uns lugares, fiz umas compras, cantei umas músicas... não é ruim, tenho sido feliz...


Mas é que é sempre no "meio termo", na zona de conforto. É a parte lisa do asfalto. Que é legal, mas é o mais fácil. O que é bom, que me evita grandes transtornos... mas também me priva de grandes acontecimentos.


Sinto falta da trilha, da estrada de terra... das atitudes drásticas, das coisas emocionantes, das histórias e das fotos inesquecíveis.


Mas esse caminho que leva a gente da frustração pra atitude é difícil de achar... Exige vontade, exige paciência... mas deve ser quente... e valer a pena.

24 abril, 2010

Eu sinto uma certa pena de mim, criando pessoas na minha cabeça que são versões que eu queria ter de pessoas da vida. Na verdade nem sei se é de mim, ou das pessoas. Porque a 'minha' pessoa é muito bacana, e te olhar na vida real chega a ser triste. Triste pela minha falta de senso, e pelo o que você poderia ser.

13 abril, 2010

Por favor, me engane

Eu deixo você me enganar. Aliás, eu tenho até pedido. Por favor, me engane.
Pode, você pode me enganar e me fazer achar que você é legal. Me engana que é um cara bacana e finge que você realmente não fala isso para mais ninguém. E que você realmente estava ansioso.
Vou me deixar enganar pra dar mais risada com você. E rir das suas piadas baratas. E fingir que eu gosto desse jeito que você me olha as vezes. Eu nem preciso fingir, eu gosto. Mas tá, eu finjo então que é só pra mim que você olha desse jeito.
Por favor me engana sempre que você ligar falando isso. Eu caio direitinho, pode confiar! Faço questão de acreditar que você realmente queria ficar comigo hoje. E que é uma pena não ter dado certo. Pode me enganar e botar meu ego lá nas alturas. Eu te engano também e finjo que eu não sei das suas outras histórias ali do meu lado.
Eu deixo você me enganar que adorou. E que eu não devo mais demorar tanto. E que terá juros e correção monetária. E que a gente é namorado. Me engana enquanto a gente dorme junto igual namoradinhos. Enquanto eu olho você dormir, mesmo sem saber direito porque eu tô lá. Mas pode me enganar sim. Naquela mãozinha dada de dedos entrelaçados também. E em todas as horas que eu acho que até "poderia ser, né?". Eu adoro ser enganada. Sabendo.

04 abril, 2010

Rainha do gelo e a Fulana Maldita

Ela mentaliza "Eu sou a rainha do gelo! Eu sou a rainha do gelo!". E enquanto isso, ele vem chegando, ela ouve a voz pelo corredor.

Pronto, chegou! Daquele jeito de sempre, galanteador. Engraçado é ela abominar esse estilo "el comedor" que ele tem. Mas tem coisas que ninguém explica, e não é o primeiro cara sem explicação que faz isso. Será então que no fundo ela até gosta dessa linha galã de novela?!

Não, ela não gosta. É um encosto, um alter-ego, uma personalidade enviada pelo capeta, só pode. Essa sim, essa Fulana Maldita, toma conta da outra e adora um galãzinho barato, uma cantada escrota, e adora criar pessoas que só existem na cabeça dela. Mora dentro da Rainha do Gelo, que luta pra não ser dominada, afinal, a Rainha é esperta, já tomou muita pedrada na cabeça e saber analiticamente como agir em todos os casos. A Rainha do Gelo tem gestos calculados, tudo esquematizado pra sair por cima, sempre. Geralmente dá certo. 90% das vezes, é tudo como ela quer.
A Rainha sabe, com certeza milimétrica, que o Galã é só uma diversãozinha, que ela deve brincar e guardar no armário, como se fosse mais um Ken da coleção. E que isso não tem nada de errado, afinal, o trato é exatamente esse. As regras estavam bem claros no contrato e a Rainha a-do-ra um contrato! 

Mas é só o tal do Galãzinho barato chegar pelo corredor que essa piranha dessa Fulana aparece e grita alto na orelha da outra. Deve estar louca pra dar, não é possível!!! Ela não sabe o que ela fala, confunde todas as coisas, acha tão bonitinho essas coisas de novela mexicana que o Galã faz. Ouve músicas que lembram coisas e acha significados em todas aquelas coisas que não tem significado algum. Essa porra dessa Fulana criou um Galã só dela, que a Rainha não enxerga de jeito nenhum, e que eu olhando aqui de fora, acho que não existe mesmo.
Olha lá a Fulana com um massarico, tentando derreter o gelo da Rainha a qualquer custo... O resto são cenas dos próximos capítulos...

25 março, 2010

Amigo

Eu estou sempre com você aqui no meu acostamento. Vou caminhando e você vem ao lado, as vezes na pista, as vezes mais escondido. Mas você está aqui. Eu vou me divertindo pelo caminho, depois vou me irritando, depois descubro que homem é uma raça de idiota e mulher uma raça de gente trouxa. E você está aqui, vou te atualizando das minhas descobertas.
Depois eu saio com alguém, ou faço um cú doce pro cara que eu conheci e se acha capaz de comer todo mundo. Desculpa né, mas eeeeu, o cara só é capaz de comer se eu quiser. E eu até quero. Ou não. Depende do humor. Aí eu conto pra você e você dá risada. Porque a gente é amigo. E amigo conta do cara que quer comer, da menina que você tá pegando, das razões de fazer tanto cú doce. A gente é amigo e eu mando mensagens no seu celular, porque agora eu só trabalho e não tive tempo de ligar no seu aniversário. E você me perdoa, porque a gente é amigo. Amigo entende isso. A gente lembra da época das viagens, que a gente dormia junto em barracas e colchões infláveis. Bem coisa de amigo dividir esses perrengues. E a gente lamenta por não dar mais tempo, afinal, a gente ria muito. Pior é você, que trabalha em 3 lugares né?! Por isso eu te perdoei quando não ligou no meu aniversário. Mas o que eu não contei foi que eu tremi inteira quando vi sua mensagem. E depois me achei a maior babaca do mundo, quase tendo um infarto por causa de um sms. Babaca. E aí a gente se encontra por acaso, tem conversas bobas e se abraça. Você me conta dos treinos, dos campeonatos. Porque amigos se abraçam. E eu acho tão legal você jogar, competir. Mesmo eu afirmando que esse abraço aí é diferente demais dos meus outros amigos. Aliás, eu mal abraço os outros. Talvez não sejam tão meus amigos assim? Esses outros amigos não escutam o quanto eu sou chata, enquanto eu corrijo as referências bibliográficas do trabalho deles. Aliás, eu nem me preocupo com o trabalho deles. Você eu sei que é meu amigo, então eu saio de onde for, num impulso, pra fazer isso. É, eles não devem ser tão amigos então. Pra amigos como você eu reclamo das celulites, do chefe, ou de como eu piorei depois que parei de treinar. E você, como bom amigo, diz que eu tô ótima. E eu como acredito nos amigos, acho mesmo que eu tô ótima mesmo, pelo menos enquanto eu tô com você. E se eu estiver muito cansada, o tal do seu abraço me dá sempre vontade de chorar. Eu já chorei de cansaço com você, lembra? Porque não precisa ter vergonha de chorar, afinal a gente é amigo. E é o abraço de amigo melhor do mundo. Eu podia viver dentro de um abraço de amigo desses. Eu choro depois do abraço também, internamente. E choro por dentro depois de corrigir o seu trabalho, enquanto você agradece. E choro por dentro com o seu beijo de tchau, e seu abraço que dava pra morar dentro. E enquanto eu conto do cara que come todo mundo. E na hora das celulites. E porque eu adoro essa sua tatuagem. E porque você em quadra é lindo. Eu sempre choro pela nossa amizade. Eu choro por você ser o melhor dos amigos que alguém poderia pensar. Eu choro porque você é realmente meu amigo. Mas eu tô feliz, porque amigos fazem a gente feliz. Sempre.

06 março, 2010

Workahoquê?

Aconteceu! Todas as profecias! Tudo! Tudo que eu jurei que não ia acontecer!
Aí você planeja que vai só trabalhar por amor e porque isso te deixar feliz e com pessoas legais e sorrir e se divertir e ver seus amigos antigos periódicamente e tudo vai ser sempre essa época dourada...
E aí sua pele está ruim, seu cabelo horroroso e sua saúde não deve estar aquela Brastemp também... seus amigos antigos você mal troca um e-mail, afinal tem outros 983984938938983 pra responder e mandar, seu carro está caindo aos pedaços, porque parar pra ir ao mecânico parece uma perda de tempo irreversível. Aliás, tudo parece perder tempo, dar prejuízo. Mas e quem disse que usar todo esse tempo te deixa feliz. Te deixa escrava de você mesmo, pois um lado precisa terminar tudo e o outro precisa se lamentar, pois você poderia usar esse tempo para você. Mas quem é você? Que não fala com amigos, que não sai, não ri, não bebe, não fode, não para nem 3 dias com um esmalte na unha. Você é quem? Aquela que xinga a si mesma por trabalhar tanto, mas não exita se alguém chamar pra trabalhar mais. Você é aquela que perdeu o assunto com os outros, pois o seu é contar o que acontece no e-mail ou na última ligação, ou reunião. E aquela também que se questiona de ter dito que faria diferente a vida toda e não está fazendo nada mais que i-gual-zi-nho a todo mundo.